Banho de chuva às 2h da manhã. Ou a qualquer hora, pouco importava o tempo. Eu me sentia viva quando as gotículas frias de chuva escorriam pelo meu rosto. Ainda me sinto, mas essa já não é a minha maior testificação sobre estar viva.

Por muito tempo pairou sobre mim a dúvida incessante do sentido de estar vivo, quando na verdade não passávamos de máquinas programadas a um estilo de vida desejável. Nós seres humanos, somos uma mistura de genética e experiências sócio-culturais a qual com o passar do tempo criamos a nossa memória e o nosso pensamento baseado um tanto quanto naquilo que vemos e vivemos. Por isso, fomos projetados a entender e a praticar um estilo de vida que nos proporcione atividades durante todo o dia, cursos profissionalizantes e qualitativos, trabalho durante toda a semana,um bom salário, encontros sociais, dentre tantas outras convenções aceitas pela sociedade. Qualquer comportamento que fuja disso é taxado como fracasso ou depressão.

Então, quem não vive dentro desses padrões perde o sentido (que na verdade nunca esteve ali) do conceito de “estar vivo”. Afinal, está vivo aquele que tem energia, distribui sorrisos, toma decisões inconsequentes, se arrisca e mais tantos outros conceitos já ensinados desde a nossa infância. Acontece que essas palavras são apenas descrições em busca de um significado real, e quando eu não consigo colocar racionalmente aquilo que eu almejo por estar vivo dentre essas opções eu não consigo ver beleza na vida e tampouco ter a coragem de viver, ah sim… pois pra se viver é preciso coragem!

Longos anos de crise existencial, sem conseguir viver, tomar decisões, completar processos e até mesmo começar qualquer coisa, na busca de tentar entender o meu sentido de estar viva de forma errada, afinal eu colocava a questão da seguinte forma: “eu existo para ter algum tipo de salário, dar algum tipo de sucesso e realização pra alguém, conquistar alguma coisa…” logo, se eu não consigo suprir as expectativas a vida torna algo ruim aos meus olhos e eu perco a vontade de viver. Assim perdemos pessoas, mas para o mundo é só mais um número em depressão. Ser humano? O que é isso É o que acontece quando as estatísticas valem mais do que os valores. Não existe vontade de auto-superação quando a sua vida é levada por ordens, tendências, imposição e desconforto. Perca de tempo buscar nas baladas, no sexo desregrado, na sensação de perigo, e até nas gostas de chuva (o meu caso) o sopro da vida quando na verdade você só irá encontrá-lo num lugar, doado por alguém.

Cruz.

Cristo.

Mais bem vive quem mais se conhece. E pra se conhecer é necessário conhecer a Ele. Não consigo chegar ao profundo da minha alma e da minha essência sem passar antes por Aquele que me fez e em mim habita. Se o Criador é bom e dono de tudo, teria Ele feito a vida apenas para nos fazer infelizes? Ou como se fossemos personagens de um jogo na busca de quem ganha mais?

Passado e futuro. Presente. O tempo. Cada segundo. O andar das nuvens. O sentido da vida nunca estará nos prazeres dos corpos. Isso explica porque alguns tem tudo e ainda se sentem só. Eu entendi que estou viva e que a vida é boa quando Jesus retirou as vendas dos meus olhos e me apresentou um mundo onde eu preciso estar morta para então viver. Nunca será sobre as coisas dessa terra.

Enquanto eu cursava a faculdade e era detentora de uma visão quadrada e mundana , eu jamais teria a expectativa de viajar para outro estado a 2 mil km e conhecer tanta coisa. Até poderia ter a possibilidade mas ela viria acompanhada de vários obstáculos. Férias, quando? Salário, será que vai dar? Quantos dias, mas não é uma loucura? E quando eu me abandonei em Cristo eu viajei pra mais de 7 cidades em seis meses e jamais poderia descrever em palavras tudo o que eu vivi em cada uma delas. O que vivi com outras pessoas e comigo mesma. Nunca será sobre o que se tem, o quão longe se vai e o que é preciso conquistar, mas sobre as experiências e transformações vividas pela alma.

 Uma alma viva. Um corpo vivo.

Os dias são sempre feitos de oportunidades. Estar vivo é o maior de todos os motivos que leva à gratidão. Porque eu entendo que a vida é dom de Deus e eu faço parte da criação, então, isso precisa prestar, né? Estou viva porque um dia Jesus precisou morrer para salvar a criação, e como criatura, tomo parte da vida nova e por isso independente do que o mundo julgue como vida a parte mais viva que há em mim há de ser a minha alma que atrelada ao Espírito é eterna e não a minha finita carne. Por isso, hei de satisfazer o que é profundo e não o que é profano.

“Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem, de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês.”
Romanos 8:11

O que quero dizer é, quando você coloca Deus como o seu sentido você dá liberdade ao Espírito Santo para dar vida também a tua carne. Então a vida passa a ser mais do que emprego, esporte, diversão e dinheiro. É mais do que onde se chega e por onde andou, mais do que quem chega primeiro ou quem ficou pra trás. É menos dor por fazer coisas que não se gosta e mais ardor para realizar a vontade de Deus e sofrer quando for preciso e como for preciso.

Na carne a vida é cinema, futebol, livro e barzinho ao fim do expediente, no espírito a vida é o próprio ser humano. Cada situação é uma oportunidade. O pingo gelado de chuva ainda me faz sentir viva, mas não é na minha carne. Eu não preciso a todo instante fazer a minha carne feliz para me subornar a prosseguir vivendo. É a minha alma, motivada pelo Espírito de Deus que sustenta e motiva a minha carne a estar viva. Vocês percebem a diferença?

Não é preciso pular de bungee jump, voar de asa delta, ser aplaudido após ser promovido, apostar uma corrida, comprar sapatos ou tomar chuva para se sentir vivo. (Está tudo bem se você quiser fazer, e eu tenho vontade de fazer muita dessas coisas) mas o cuidado é analisar se isso é só uma forma de comprar a sua carne e se estimular de forma errada. E então começamos a tomar decisões cada vez mais erradas ao passo de que enxergamos cada vez menos sentido no que estamos fazendo.

Nascimento. Desenvolvimento. Reprodução. Envelhecimento. Morte. Te ensinaram isso aos 10 anos de idade e você nunca mais esqueceu. Profetizo hoje uma palavra de libertação sobre a sua vida, FORGET IT! Está liberto em nome de Jesus HAHAHAHA. Se encontre com O sentido. Entenda que a vida foi feita mesmo pra você, uma jornada de encontro, perca e reencontro entre tu e tu mesmo ao retorno à Aquele que É. A vida não é só isso, ela é TUDO isso e o preço dela custou sangue. Não transformemos tal conta numa barganha barata entre a nossa mente e a nossa carne, remédios antidepressivos e um vício no trabalho para fugir de todas as frustrações só porque o seu foco é que está no lugar errado. Se o criador é tão grande ao ponto de ter sempre estado aqui, deve a criação ser o caminho de volta ao eterno, entre tropeços e flores estamos todos em busca de nos unir ao Princípio.

Sejamos corajosos e perseverantes para trilharmos não o caminho de ida, mas o caminho de volta; esse eterno segundo de tempo entre o nascimento e a morte, chamado vida e que por incrível que pareça hoje eu amo viver!

E para você, o que é estar vivo? Conta pra mim!