Neste domingo a Igreja celebra a memória de São João Maria Vianney: o Cura d’Ars, padroeiro dos párocos. Por isso hoje também é tido como o “dia do padre” e queremos falar um pouco desta sublime vocação.

Que grande mistério a existência de uma vocação que não tem fim nem mesmo com a morte. O sacerdote continua sendo sacerdote até na eternidade, onde não cessará de oferecer sacrifícios de louvor à Deus por todos os séculos.

Sabemos que a vocação ordinária da humanidade é o matrimônio e Deus assim o quis, criando homem e mulher um para o outro. Entretanto, principalmente a partir de Cristo, Deus chamou homens e mulheres para se unir de forma tão profunda à Ele a ponto de renunciar a companhia matrimonial de outra pessoa. O próprio Jesus inaugura o celibato sacerdotal na Igreja quando diz que: “há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mateus 19, 12)

Nosso Senhor desejou perpetuar sua presença nesta terra através da Santa Igreja que é seu Corpo Místico e ainda mais na Eucaristia que é seu Corpo Real. Para isso chamou e continua a chamar homens que, como verdadeiros esposos da Igreja, protegem o maior tesouro que recebemos de Cristo.

No sacerdote enxergamos claramente a figura da Igreja que é Mãe e cuida dos seus filhos em toda a sua vida. Toda a nossa história de fé passa literalmente pelas mãos ungidas do sacerdote: as mãos que derramam as águas do batismo sobre nossas cabeças; as mãos que consagram e oferecem o Corpo de Cristo na Eucaristia; as mãos que nos absolvem dos pecados e nos abençoam; as mãos que nos ungem para receber os dons do Espírito e a cura das enfermidades. Do nascimento ao leito de morte de qualquer católico deverá se encontrar a presença paternal de um sacerdote para conduzir aquela alma à Deus.

Da vida de São João Maria Vianney aprendemos que a capacidade e as condições para se viver a vocação são dadas e não conquistadas. Dele também aprendemos que um sacerdote é capaz de mudar toda a realidade à sua volta cumprindo com excelência e amor “apenas” aquilo que lhe é ordinário. A perfeição consiste em executar com extremo amor cada pequena ação que nos é confiada.

Diante da grande crise vocacional na Igreja nos resta perguntar: teria Deus parado de chamar ou nós é que paramos de responder? Sem dúvidas, o Senhor continua chamando homens para configurarem sua vida ao Sumo Sacerdote Jesus Cristo como esposos da Igreja. Aos homens de Deus que leem este blog: permita-se considerar esta possibilidade em sua vida.

Neste dia queremos louvar a Deus pelo dom do sacerdócio em nossa Igreja e queremos honrar com nossas orações e gratidão os padres consagrados ao carisma Colo de Deus e à todos aqueles que nos pastoreiam, nos amam, nos corrigem e nos formam com seu sacerdócio. Pedimos à Virgem Maria que interceda pelas vocações sacerdotais e inspire cada vez mais homens de Deus à responderem ao chamado de serem pastores de almas.

À todos os presbíteros nos unimos em oração e com o salmista nos enchemos da certeza de que Deus não muda de ideia: “O Senhor jurou e não se arrependerá: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.” (Salmos 109, 4).