“Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu a luz à seu filho primogênito, e envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio, porque não havia lugar pra eles na hospedaria”

-Lucas 2, 6-7

Hoje é Natal, e eu queria saber escrever sobre a Esperança que a vinda do Menino Jesus acende em nossos corações no final do ano, sem choro ou sem carregar tanta sofrência como carrego 99,99% das coisas, porém em Romanos 5, São Paulo nos diz que a ordem das coisas pra chegar à Esperança, começa no sofrimento mesmo e depende do que você faz com ele, então, hoje eu vou cry out pra Virgem Maria: depois desse desterro, mostrai-nos Jesus!

E é dessa mulher que eu preciso falar, do dia em que ela me contou uma história:

Era uma vez, de algum dia, desses últimos meses, desse ano de 2017 infinito. Eu andava pelo mais largo corredor, também o mais bonito e difícil de limpar da nossa “casinha”, enquanto fazia o que podíamos chamar de cooper, caminhada  matinal (estou frisando bastante porque o corredor é grande mesmo), eu conversava com a Virgem Maria.

Pedia à Ela que deixasse eu encontrá-la. Percebê-la no meio do meu pequeno desespero. Eu  queria conhece-la na pequeneza (sic) que ela foi, passando por tudo que passou assim: simples mulher. A mãe que fazia comida pra Jesus e lavava suas fraldas, quando a Pampers não existia.

Então eu perguntei a ela: quem foi você, Maria? E pedi: Cuida de mim hoje, porque eu não estou conseguindo segurar a barra que é escolher Jesus.

Nesse dia, teríamos a celebração da Santa Missa em casa, tudo estava meio agitado, pra que tudo ficasse pronto na hora marcada. Alguns dos meninos corriam atrás dos paramentos litúrgicos e arrumavam o altar, os músicos ensaiavam do lado das janelas do corredor e o resto do povo tentava ficar arrumadinho pra ver Jesus. E eu?

E eu? Imagina? Viajava na maionese e questionava:

Como foi estar grávida d’Ele? Ele mexia? Seus pés doíam? Você ficava nervosa? E aquele estábulo? Como era mesmo? Me conta daquela noite.

Enquanto eu conversava com Ela, já fazia o caminho de volta no corredor, quase desistindo de fazer mais perguntas. Só pedi pra ela não me aparecer com vestes reluzentes e flutuando, porque eu me assustaria pra caraca! Então me sentei perto de onde os músicos ensaiavam, encostada com a cabeça na janela, eu fechei os meus olhos e a Minha Mãe me levou onde eu queria ir.

Era o estábulo. Não tinha uma cama lá, só palha e feno pra todo lado, era madrugada, e claro, não adaptado pra dar à luz a um bebê, menos ainda o “baby King” Jesus. O parto já tinha acontecido, talvez os três pastores estivessem a caminho e José guardava a mulher do lado de fora. E Ela estava deitada no chão: cansada, suas roupas suadas e sujas, com o bebê recém-nascido pousado com delicadeza sobre o seu peito, dormia tranquilamente, enquanto ela acariciava suas costas e olhava fixamente pro céu estrelado de Belém, através da fenda que havia no teto do estábulo.

Eu sentia a Virgem Mãe preocupada. Ela tinha acabado de dar a Luz ao filho de Deus, mas a história não acabava ali, ela sabia que tinha algo mais a ser dado até chegar aonde lhe foi prometido.

Nesse momento, uma música foi gritada dentro do meu coração e desejei que os músicos a cantassem, mas não queria sair dali, desse desvaneio, visão, eu não sei, então eu só olhei pra ela, não abri os olhos, nem a boca . E nem precisei.

Porque Maria abriu sua boca, e ao mesmo tempo, meus irmãos ao meu lado começaram a cantar.

A música era:

Mostra-me o preço que eu preciso pagar pra ver Tua glória, eu pagarei. Quais são os bens que eu preciso deixar em Teu altar, eu deixarei.

Eu sentia a decisão da co-redentora do mundo, mais uma vez, confirmando seu sim à Deus Pai, mesmo com tudo que Ela sofreria. Eu senti a Virgem Maria entender que o bem que ela deixaria no altar era o próprio bebê, o preço era o sofrimento dEle. Então, eu chorei e a vi chorar, declarando:

Pois se eu deito ou se levanto, eu quero ver Tua Glória! Pois se eu calo ou se eu grito, é só pra ver Tua Glória!

Era como um grito interno de desejo do coração dEla passando pro meu, direcionado aos Céus. Um grito de Esperança. Ela sabia e me fez entender, sentindo a dor dela, onde deveria estar meu coração.

Passando a mão nos cabelos delicados do recém nascido, o menino Jesus, eu a senti O entregando mais uma vez, não guardando nada pra Ela, mas aceitando tudo, ela chorou de Amor:

Então coloca-me no meio da Tua glória, eu preciso provar o gosto da sua glória! Eu quero ver Tua glória!

Por fim, eu senti alguém se aproximar de mim, colocar a mão nos meus cabelos, e começar a fazer, exatamente como a Virgem Maria fazia no menino Jesus.

O que ela queria me dizer com isso? Ela me disse que, assim como Ela pagou o preço pra ver a Glória através de Jesus, ela pagaria o mesmo preço por mim, porque assim Ele pediu. A partir daquele dia, eu estava protegida, como um bebê recém-nascido, nas mãos dEla.

Eu sou o tipo de pessoa que chora em música feliz porque nunca acreditei que seria feliz um dia, porém, no estábulo, no improvável lugar, minha Esperança nasceu e ela cresce por graça! Vem, sobe, não ao meu telhado agora, mas até Belém da Judéia e O adore.

“Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” 

-Matheus 2, 11