Cânticos dos cânticos 4, 8-16

Hoje é dia 22 de Novembro de 2017. A cidade é Ponta Grossa, Paraná, no Brasil. O céu se encontra com cor de pérola, tipo as da Vilma, do The Flintstones; o ar está úmido, bom de respirar, isso me lembra Curitiba: bolacha em rosca sabor chocolate e café com leite ou um nescausinho, que eu costumava gostar, até não poder mais. Bom, a verdade é que eu não parei de gostar, só não me convém mais, sabe como é, a minha diabetes se baseia (ou deveria) naquela passagem de 1Cor 6, 12, mesmo  que eu me esqueça disso muitas vezes. Mas eu não estou aqui pra falar de diabetes, Jesus já está dando um jeito nisso, Ele sabe. Então vamos lá!

Eu estou aqui pra falar que eu não fui feita pra parar, desistir ou me deixar vencer por ser fraca demais. Eu fui feita pra amar e conhecer o meu Deus.

Eu estou sentada na minha cama agora, diante da minha janela, com Jesus! E Ele me fez lembrar uma frase que eu disse em oração uma vez, e assim, começa a nossa primeira história aqui:

Hoje a vida não parece que “vai dar boa”, que eu já vou ficar bem humorada e sair cantando pelos corredores, só parece que vai doer e eu vou chorar muito. Porém, não sou eu quem determina essas coisas, não fui eu quem fez os Céus e a terra ou moldei as nuvens no firmamento, portanto, não deveria me preocupar, e eu deveria me lembrar que Deus é bom e sua misericórdia não finda só porque eu me considero a mais miserável dentre os seres.

Entretanto, eu me preocupo, fico ansiosa, me prendo nesse meu pequeno e próprio vale de lágrimas secas, onde tudo é difícil demais e espero o fim desastroso, que sempre me parece inevitável. Mas basta eu esquecer, lutar pra esquecer, por um momento que seja, o desastre que posso ser e sobra o eu filha, filha d’Ele, criança dependente, sem ter pr’onde ir, só pra Ele.

E quando sobra essa eu, ah quando sobre ESSA EU! Uma janela, igual a essa aqui do meu quartinho, me apresenta um jardim estranho que se abre a minha frente e eu consigo ver daqui um punhado de flores que eu poderia nomear ou não. Assim é com os passarinhos, dá até pra ver aqueles meio marrom e cinza, que vivem nos fios de luz das ruas, cantando todas as manhãs e eu nunca soube a espécie.

Essa pintura, feito tela pintada pelo meu Deus Artista, me atrai tanto que eu sinto que vou explodir e virar aquela borboleta amarela, centenas dela, voando por ali, só pra fazer parte de Sua obra.

Como eu havia dito: eu não nasci pra parar, desistir ou me deixar perder, por isso, com minhas mãos pequenas e sem habilidade para fazê-lo, eu me sujo de tinta e quero me fazer de pincel, pra desenhar como Ele faz.

Porém não. Não é isso que Ele quer, eu não posso fazer esse trabalho! Minhas mãos de alface não tem capacidade pra transformar um vale de lágrimas em um Jardim Botânico de alma! Uma vez, em oração, eu disse: Jesus, cansei, eu não nasci pra ver a glória pela janela! Então, sim, eu me sujo de tinta e me jogo no jardim, pulo a janela, me atiro na tela.

Sou a pintura de uma florzinha esmagada animada no meio desse jardim, e assim, como no “Show de Truman”, rasgo toda essa suposta tela e me DECIDO ser parte da realidade que o Bom Criador me fez para ser!

A cena que aqui aparece e acontece em mim agora, parece com uma novela das 21h (não assistam, amigos, Pe Paulo não ia gostar nada, #FicaaDica) em que a personagem se esgota de seiláoque (sic) e começa a destruir os objetos cenográficos, chora e come os próprios cabelos; é, eu rasgo a tela com fúria, gritando com violência, mas com fúria de um gatinho faminto, o mesmo que ronda os fundos da cozinha da Escola De Missões, em Ponta Grossa.

Quando a destruição acaba, eu já sou a parte que eu deveria ser, cumprindo o papel que eu deveria cumprir, respirando o ar que eu deveria respirar e me embriagando com o perfume das rosas que foram lançadas aos pés da Cruz, por alguém que pulou a janela também!

Eu já vi tudo isso, mas há ainda um jardim inteiro pra conhecer e ouço a voz d’Ele, entre o cantar dos pássaros, me dizendo: “vem, minha bem-amada!” Eu estou entrando!