Uma História do Avesso

Existe uma poesia não atrativa que, com violência, traz destruição ao meu entendimento e me prende ao melhor contador de histórias:  A Verdade!

 

1…2…3…Breath in!

3…2…1…Breath out!

Let’s go again: BREATH!

 

Renato Russo disse em uma de suas canções que “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira” e a Thay acrescenta: mentir pra si mesmo é morte, suicídio da alma, se ausentar de Jesus e, no meu caso, foi fugir pra um mundo utópico onde eu era a Wonder Woman (Mulher Maravilha), e com meu escudo podia tudo resolver, sendo assim, estava sempre blindada.

Ingênua, eu mal respirava, meu mundo desabou, e tornei ao pó.

O que aconteceu por esse terreno árido, que eu chamo de meu coraçãozinho, nos últimos tempos, foi um bombardeio vindo de tanques de guerra projetados para fazer com que eu aguentasse carregar pesos e enfrentar aquilo que eu não sou capaz, para chegar aonde eu penso que eu devo logo chegar.

O desespero começa e o ar acaba quando eu descubro que quem projetou esses tanques, foi eu mesma.

Olha esse cenário: uma bomba colocada dentro de uma mochila preta, estampada com florzinhas amarelas (porque eu gosto de amarelo), sendo deixada por aí, num canto qualquer. Aparentemente inofensiva, porém, extremamente perigosa pra si e presa em si mesma, por não saber como se desarmar, sem estragar tudo, apenas escutando o apitar dos explosivos:

Pip “você não vai chegar lá” pip-pip

Pipi-pip-pip “não adianta tentar” pip-pip-pip-pip

Pip-pip-pip-pip-pip “desista” pip-pip-pip-pip-pip-pip-pip

BUM! Explode e vem o sopro. Mochila não é mais mochila, bomba não é mais bomba. Tudo é cinza.

Já pediu socorro pra ser salvo de si mesmo?

1…2…3…Breath!

A Verdade, Ele, o Grande Eu Sou me tirou as escamas dos olhos com o tocar, suavemente, destruidor da Sua forte destra. E eu pude ver como Ele age de forma irrepreensível, pondo fim as minhas (in)verdades! O Deus de Israel, Isac e Jacó destruiu o meu cenário, rasgou o roteiro que eu escrevi e me mostrou sua violência em me amar, porque já me conhece, mesmo eu tentando, não pude entender os comos e porquês. (Sl 138, 6)

E assim, pelo orgulho ferido de ignorância, eu corri, caí e resisti ao Leão, no trajeto da fuga, fui apagando as luzes pra Ele não ver minhas entranhas, meus músculos atrofiados, veias e feiuras, porém, as minhas trevas não são escuras demais para os seus olhos, nem meus picos de desequilíbrio são altos o suficiente pra Ele me alcançar e, no meu último suspiro, me alcança.

Deus me vê, como viu Natanael debaixo daquela fiqueira. Quem dera não encontrar em mim falsidade pra ver que, agora, minhas vontades já não podem mais correr de suas mãos calejadas que, em quarenta dias de roxo, colocam-se a trabalho no empenho de me fazer meu coração empedernido voltar a ser carne. E o meu papel? É voar de acordo com Seu vento, insistindo em ficar, me deixar.

“Para onde eu irei, longe de vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar?”  – Salmo 138,7.