Num todo, de acordo com a filosofia, liberdade significa o direito de agir segundo o seu livre arbítrio e a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa, é a sensação de estar livre e não depender de ninguém. Para o Direito, a liberdade é também um conjunto de ideias liberais e dos direitos de cada cidadão.

Bom, e para mim? Para mim o conceito de liberdade ou qualquer pensamento sobre SER LIVRE sempre foi um monstro. Daqueles bem grandes que a gente tem vontade de cobrir até as pontas dos pés para ficar bem protegido, sabe? Na vida eu construí uma linha de raciocínio que me fazia acreditar que liberdade era exclusivamente no plano material. Livre para falar algo, fazer algo, expressar algo, sempre de dentro para fora e na faculdade de Direito isso tornou mais complexo ainda, porque a liberdade se torna um conjunto de normas inerentes ao ser humano, quase que algo a ser conquistado em decorrência de um comportamento certo ou errado. É basicamente uma utopia!

e eu sempre tive uma maniazinha chata de querer romper as utopias…

Então, de forma prática, ser livre estava relacionado a algumas coisas como independência financeira, as escolhas normais do dia a dia, poder expressar a minha opinião, não depender emocionalmente de ninguém, não precisar me sujeitar a nenhum comportamento padrão instituído pela sociedade, e algo que é muito importante frisar, ser livre é ir contra ao que é costume ou tradição, é remar junto com as correntes novas de pensamentos que nos ensinam a todo o momento na televisão e nas escolas tantas coisas, e que coisas! As pessoas (e eu me incluía nessa) costumam dar mais valor para a liberdade expressa em grandes atitudes, em rebeldias, aventuras, movimentos externos, do que aquelas liberdades comezinhas do cotidiano. Como se uma viagem de volta ao mundo fosse uma prova de liberdade maior do que a de escolher comer ou não um chocolate. É como se seguir os próprios impulsos fosse a liberdade suprema, aquilo que todos entendem por “ser livre”. Basicamente, para o mundo, ser livre é fazer o que se quer, quando quer e como quer!

Acontece que bancar esse comportamento por muito tempo é cansativo e desgastante. Me feria e me assustava ver que o tempo estava passando e eu estava condicionada a uma liberdade porém a última coisa que me sentia nesse mundo, era livre. Apesar de a minha cabeça aceitar isso como uma verdade é como se a minha alma não entendesse esse conceito e quisesse me alertar disso. Eu nunca me senti a vontade fazendo coisas erradas ou participando de grupos rebeldes, nunca entendi de fato como fazer tudo o que quero poderia me fazer feliz. A minha alma (na verdade o Espírito Santo de Deus que habita em mim dava entendimento a minha alma) sabia que seguir os próprios impulsos da minha carne era justamente o que me fazia viver numa prisão permanente bem longe do que realmente é a liberdade. Não conseguimos nem ver onde começa a vontade e onde termina a liberdade de escolher. Se a pessoa se diz livre, mas não consegue viver sem café, será que ela é livre mesmo? Só de eu constantemente buscar escolhas que me fizessem parecer ser livre já prova o quanto eu estava acorrentada. Existem muitas cadeias em nossa mente das quais precisamos nos libertar. Mas não podemos fazer isso se não nos conhecemos, se nos recusamos a fazê-lo.

 

Depois de muito tempo com essa inquietação e refletindo sobre a liberdade, na busca de ser feliz e do auto conhecimento, foi só depois de muito tempo que eu comecei a compreender. E adivinha com quem? O homem que mais me ensinou sobre a liberdade foi Jesus, ele junto ao Pai escolheu passar pela Cruz para nos tornar livre. Jesus foi totalmente livre e totalmente dependente de Deus. Afinal, liberdade então não está relacionado a falta de amarras, mas está ligado a consciência de si mesmo e de como nós fazemos as nossas escolhas. Completamente interno!

“Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.”
Gálatas 5:1

Com Jesus junto a mim eu entendi que a liberdade é de dentro para fora, nada tem a ver com o externo. O externo é só uma conseqüência daquilo que existe dentro de nós. Ser livre é ter guardado na consciência e no coração que estamos aqui por uma razão e como seres humanos pertencentes a Deus devemos buscar nos encontrar nessa terra para então encontrarmos com Ele. A liberdade em Cristo é ter testificado na alma quem somos e reconhecer a nossa dependência nEle, reconhecer as nossas limitações enquanto ser humano, reconhecer que nem tudo aquilo que desejamos deve ser feito e que mais do que guiados pelas leis devemos ser guiados pelo amor da Cruz. Ser livre então não é falar o que quiser apenas por ser o que pensamos, mas pensar no que se deve falar para não ofender o outro. Do que de fato somos livres? De nós mesmos. Das nossas vontades imedidas que nos levam à conseqüências terríveis, do liberalismo, do dinheiro, da falta de tempo, da pressa, do medo, da separação, da moda de não se ter família, de formar antes de casar, de pertencer a determinados grupos, ouvir determinados estilos musicais para ser aceito, e enfim…eu poderia ficar para sempre citando as amarras que o mundo nos dá! Acontece que no imediatismo da vida, o tic tac do relógio, a correria a qual nos submetemos esquecemos de olhar pra dentro e dizer, “sou livre”, dependente somente de Deus. Não do trabalho, faculdade, horário, salário ou uma determinada pessoa.

Pelo amor fomos livres para amar, para ser quem somos, para errar e acertar, cair e levantar, ser disponível ao outro. Sem sermos escravos do eu acho, eu quero e eu gosto. 

Um exemplo prático do que aconteceu comigo, ser livre para mim era poder escolher o meu curso da faculdade, trabalhar para comprar bens materiais, sair aos finais de semana e não dependente de ninguém. E ninguém nunca questionou essas decisões. Mas quando me converti e entrei para a comunidade eu tive que renunciar aos bens materiais, salário, emprego, as minhas próprias vontades, a minha liberdade física e entregar a minha vida e privacidade ao total cuidado de Deus e dos fundadores e de repente surgiram uma infinidade de pessoas questionando essa decisão. Eu perdi a liberdade física mas ganhei a liberdade espiritual. De dentro pra fora. Se dentro de mim eu tiver a certeza que sou livre, posso sonhar e chegar lá bem onde Deus quer que eu chegue! Mas enquanto a minha liberdade se basear nos conceitos terrenos os meus sonhos serão limitados, só vou conseguir chegar onde o mundo diz que eu posso, e aí, são tantas condições!

Se sou livre, sou livre para renunciar em prol de alguma coisa. Não gaste a sua liberdade se acorrentando a matéria. Sou livre para me doar e deixar com que a minha alma se ligue cada vez mais ao Criador e ao outro. Hoje, o meu conceito de liberdade muda conforme eu me conheço e conheço o que Deus quer pra mim. Seja livre por um propósito. A MINHA LIBERDADE VEM DE DEUS. SÓ ELE PODE NOS FAZER LIVRES. Hoje, ainda não durmo com os pés descobertos mas é por causa de outros monstros HAHAHAHAH, eu consegui aceitar a complexidade disso tudo e dar abertura para a minha alma junto ao Espírito tomar as decisões por mim e me ensinarem o que é ser livre. Não preciso viajar o mundo inteiro, ou pular de pára-quedas. Por vezes, para me sentir livre, eu só preciso fechar os olhos e refletir que a vida é muito mais do que aquilo que conseguimos enxergar e a liberdade para mim é alcançar o coração do outro e dar a ele igualzinho, nada menos, do que Deus me deu! Existe sentido na minha liberdade, e isso faz toda a diferença!

Por fim, queria deixar algumas perguntas. Pelo que vocês têm sido livres? Para o mundo? Para a própria carne? Ou pelo Espírito? (partilhem aqui embaixo, conhecer vocês me ajudam a conhecer a mim).

“SER LIVRE PARA SE (TER) SER”. Pensem nisso.