Sinto cheiro de rolês queimados nesse carnaval.
Ouço lágrimas do cão caindo no chão.
Vejo gente fazendo danças engraçadas pela rua e colocando a culpa em mim.
E tá tudo bem, ossos do ofício.

Ainda essa semana lançaremos o videoclipe da música ”Mó vibes” e no meio de toda a correria de divulgação
e expectativa, o Espírito Santo tem sussurrado no meu coração: “Filho, o que essa música significa pra você?“. Meu coração para por milésimos de segundo quando Ele fala comigo assim, tão direto.
Porque eu não ouço só ISSO, ouço também ISSO: “Filho, o que essa música significa para o meu Reino?“.
Digamos que o assunto ficou sério, porque não é novidade: na minha vida,

quando algo não vira filosofia
ou teoria,
vira poesia.

Quando eu comecei a caminhar com Jesus a vida era bem boring, porque eu não entrei na Igreja cantando
”acaso não sabeis”, né? Eu vim cheio dos meus gostos e das minhas características. Isso é lindo, exceto quando
você é inserido em contexto cristão que te obrigam a acreditar que Jesus pensa coisas sobre você que na verdade Ele não pensa. Foram alguns anos negando características em mim que eu julgava erradas e pecaminosas, mas a frustração de ver os anos passarem e aquilo que eu achava que um dia iria mudar, nunca mudar, me levou a chegar a conclusão de que talvez Deus não estivesse interessado em mudar isso em mim. Ele queria, através de mim, mostrar para o mundo que até o que existe de mais diferente também vem dEle e pode USADO por Ele para atrair quem nunca viria para o Evangelho se não fosse assim.

Passei dessa fase, comecei a amar o que existe de mais diferente em mim e consequentemente amar a minha arte. Na liberdade que o Amor me dá, passei a ser tão somente artista  sem me preocupar tanto com a opinião alheia, só sendo fiel ao que o Espírito me inspirava e ao que estava dentro de mim. A melhor parte é perceber o quanto que desde que eu comecei a acreditar de verdade nisso, tenho visto pessoas, como eu, se juntarem a mim – pela verdade, pela arte, pelo som, e além de elogiarem começarem a acreditar em si mesmas, se aceitar e trazer pra fora a porção de arte que existe escondida dentro delas.

O clipe está pra sair. Vocês vão encontrar um visual diferente, cheio de referências dos anos 80 e 90. Roupas coloridas, um figurino todo alternativo e diferente de tudo o que a gente já vestiu pra ”ministrar”. Uma dança estranha e uma bocado de cenas engraçadas e nada previsíveis. Falando de música… as guitarras são indie, a voz tá mais para o black music (porque mesmo com muito esforço não tem como negar a cor, ainda bem) e a batida tem muito do indie, mas também tem referência de funk melody. O alívio nisso tudo é que se não fosse a gente que tivesse produzido, eu ouviria esse som em qualquer outro lugar.

A letra fala do ciúmes de Jesus que quando quer uma alma, não descansa até a ter totalmente pra Ele. Quantas vezes eu não quis fugir e Ele não deixou? Quem caminha com Jesus vai se identificar com certeza. O melhor vai ser quando aqueles que não caminham com Jesus começarem a perceber Jesus queimando os rolês deles também. Ele não economiza em ninguém e esse ano Ele me disse que não vai deixar barato: quero menos gravidez indesejada nesse carnaval, quero empresas de camisinha falindo, quero mais retiros lotados e menos blocos pela cidade. Quero mais fidelidade, quero que o mundo descubra a delícia (e a dor) de viver um amor real com Jesus e que perdura mesmo depois do carnaval.

Tem que ter muita coragem pra sonhar alto.
Tem que ter muita fé pra acreditar até o final.
No fim tudo fica bem. Justificação.

[…]

2018 é tão nosso, Espírito Santo.