Peguei o celular do bolso, desbloqueei a tela e abri o Instagram. Deslizei o dedo empurrando o feed para cima. Surgem fotos de gatos, comidas, praias, bebês e amigos. Até que pula pela tela a clássica foto de uma família bela e feliz, igual propaganda de margarina. Não demorou muito para baixar o “espírito” de comparação. Involuntariamente achamos a mulher do outro mais bonita do que a nossa, os filhos dos outros mais educados e a casa do outro mais arrumada. 

Vivemos em duas realidades: a do Instagram e a real. A vida real é mais difícil do que a do feed porque é feita de tempos bons e de tempos ruins. Nem sempre teremos felicidade e tampouco só adversidade. O problema do Instagram é que ficamos condicionados a ver só a parte boa das pessoas. Assim, ficamos tentados a procurar satisfazer os prazeres acima de tudo na nossa vida e cedo ou tarde isso vai impactar no casamento.

Quando o apóstolo Paulo estava na prisão em Roma, ele escreveu uma carta aos cristãos da cidade de Éfeso. No capítulo 5, o apóstolo compartilhou o segredo para os homens viverem bem o casamento: “Amais as vossas mulheres, como Cristo também amou a Igreja e se entregou por ela. É assim que os maridos devem amar suas esposas, como amam seu próprio corpo. Aquele que ama sua esposa está amando a si mesmo”, escreveu. O homem tem o governo da família, por isso que o apóstolo direciona o conselho.

O problema é que nem sempre a gente se ama. Quando deixo de me amar, o amor próprio atravessa a fronteira e se transforma em egoísmo. Sem amor próprio, a tendência é transferir o amor que é de direito da minha esposa para amigos, trabalho, futebol, estudos, lazer ou bens materiais. Tudo passa a ser o refúgio para preencher o vazio existencial por não se amar.

Pior que não tem como se iludir, pois as mulheres têm visão raio X. Elas sabem quando a gente não está se amando, mesmo que a gente tente esconder. Não se amar é a brecha que se abre para a crise e a desordem no lar. O problema é que a crise se instala e começa a arrasar tudo à nossa volta. O problema da brecha é que, por menor que seja, pode criar uma crise gigante. 

O homem pode ter tudo, mas sem governo do lar ele não tem nada. Um sinal claro de desgoverno é quando o homem tem a sensação de que tem o domínio de todas as áreas da vida e se sente no direito de “fazer o que bem entende”. Falo por mim.

Mesmo cheio do Espírito Santo, você não está imune à tentação. É nessa hora que você precisa se cuidar, pois o diabo anda em volta como um leão que ruge, procurando a quem devorar (1Pd 5,8). Assim como fez com Eva no paraíso, ele vai sugerir e seduzir com o belo e o fácil. Todos os seus desejos e sonhos de anos irão surgir diante dos seus olhos de uma forma acessível, porém distorcida. Foi assim com Jesus no deserto.

Ao olhar para a sua realidade e a situação ao seu redor, você ficará tentado a escolher. Entenda que no final nunca será sobre você ou seus prazeres, mas para destruir o seu governo dentro da sua família.

Na vida, temos direito a duas bênçãos: a bênção de acertar e a bênção de errar. No segundo caso, sempre existe um aprendizado que vai conduzir ao caminho certo. O bom, é que sempre é tempo de escolher.

Infelizmente, temos a tendência de valorizar as coisas quando perdemos. Reconstruir é mais difícil do que construir do zero. Assuma o governo porque ainda há tempo. Só você é responsável pela família que lhe foi confiada. Devolva o seu amor a quem você escolheu dar de direito. Faça memória de sua história. A casa é a nação eleita para o homem governar.