Fala aí, Galera!!
Como vocês estão? 🙂

Espero que estejam muito bem!
Passei um período na comunidade de aliança para tentar entender de verdade aquilo que Deus realmente queria de mim e durou apenas 45 dias a minha experiência. Estou de volta à comunidade de vida com a certeza que nasci para isso. Logo, nesse período de quaresma acredito muito que Jesus permite que as coisas possam acontecer para de fato entendermos que ele está no controle de tudo.
Hoje vamos dar uma pausa na série dos ‘Músicos em Ordem de Batalha’, mas para uma coisa boa: vamos falar sobre a música na quaresma. Realmente, como deve funcionar a música neste tempo? Temos a necessidade de usar somente as musicas da Campanha? Instrumentos? Bateria? Baixo? Guitarra? Violão?.

Acredito que isso seja uma grande dúvida da galera.
Bom, sobre as músicas da campanha da fraternidade: não somos “obrigados” a tocar as músicas da Campanha, a não ser que o seu pároco peça que toque somente as músicas recomendadas pela mesma.
Bateria, baixo, guitarra? violão?

Afinal, pode ou não pode? Primeiro vamos falar das missas fora do período quaresmal.
Hoje o uso de instrumentos como violão, contrabaixo, guitarra e bateria são comuns nas missas de diversas paróquias espalhadas no Brasil.

Porém, há alguns anos, isto não era tão natural assim. O instrumento mais presente da Igreja era o órgão e os cantos eram apenas em latim. De lá para cá o uso destes instrumentos foi aos poucos se espalhando, agradando a uns e desagradando a outros. Mas e aí? Chegamos a outra polêmica que na minha opinião está longe do fim.

Os mais conservadores querem a extinção destes instrumentos e os mais “moderninhos” amam isso nas missas. A situação é complexa. Eu particularmente tenho a minha opinião. Perguntei a muitos sacerdotes a respeito do que penso.

O que vou escrever aqui é a minha opinião mostrando obviamente os meus argumentos. Como músico litúrgico eu tenho um pensamento que se não resolve a polêmica, poderia ajudar e muito na estrita convivência entre os que gostam ou não de tais instrumentos na Eucaristia.
A Igreja criou um documento chamado Sacrossantum Conciluim, que trata da Sagrada Liturgia. Somente para explanar meu pensamento, vou citar apenas um dos parágrafos, depois leiam o texto. Será de grande valia para todos.
Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.
Podem utilizar-se no culto divino outros instrumentos, segundo o parecer e com o consentimento da autoridade territorial competente, conforme o estabelecido nos art. 22 § 2, 37 e 40, contanto que esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis. (Sacrossantum Conciluim § 120)
Este documento reconhece em primazia como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano e o uso do órgão como instrumento mor da liturgia. Porém, também reconhece a necessidade da participação ativa dos fiéis na liturgia e permite o uso de outros instrumentos (sem citar nenhum além do órgão) de acordo com a cultura do local para a edificação dos fiéis. Apesar de tudo, o documento deixa claro que a liturgia deve se adaptar à realidade cultural de cada diocese, estimulando, inclusive, a criação de cantos populares para uso em ações litúrgicas, e deixa a critério do bispo (a autoridade episcopal territorial) o julgamento da conveniência de instrumentos e cânticos.
Então no meu entender (e aqui cabe a minha interpretação, ok?) não existe nada explícito que dizendo este ou aquele instrumento é proibido. O problema está no uso que fazemos dos instrumentos.
Talvez alguns mais interessados em estudar os documentos da Igreja apresentem o documento de São Pio X, no motu próprio Tra le solicitudine – sobre música Sacra – dizendo que se proíbem este ou aquele instrumento. Tudo bem, mas no mesmo documento diz:
Posto que a música própria da Igreja é a música meramente vocal, contudo também se permite a música com acompanhamento de órgão. Nalgum caso particular, com as convenientes cautelas, poderão admitir-se outros instrumentos, nunca sem o consentimento especial do Ordinário, conforme as prescrições do Caeremoniale Episcoporum. (Tra le solicitudine § 15)
É verdade que o documento chega a citar uma proibição para piano, instrumentos fragorosos, tambor, bombo, pratos e campainhas. Contudo, é preciso pensar no contexto da época. Naquele tempo esta era uma preocupação para que a música que era meramente vocal não fosse sufocada pelo som dos instrumentos (é preciso lembrar que naquele tempo não havia microfones, aparelhos sonoros… era tudo na base da goela mesmo). E mesmo assim, houveram casos onde a percussão se mostrou solene. Ouça o Requiem, de Verdi. Ouça a Missa Solemnis, de Beethoven. São obras feitas para momentos litúrgicos, que têm bumbos, tímpanos, pratos. E são só dois exemplos num vasto universo.
Outro ponto interessante é que São Pio X cita o Caeremoniale Episcoporum. É importante dizer que o Concílio Ecumênico Vaticano II mandou reformar todos os ritos e livros sagrados, tornando-se por isso necessário refundir integralmente e editar em novos moldes o Cerimonial dos Bispos. Ele diz entre outras coisas:
Todos aqueles que têm um papel especial a desempenhar no que respeita ao canto e à música sacra, seja o regente do coro, sejam os cantores, seja o organista ou outras quaisquer pessoas, observem cuidadosamente as normas prescritas para essas funções, insertas nos livros litúrgicos e noutros documentos publicados pela Sé Apostólica. (Caeremoniale Episcoporum § 39)
Estou dizendo isto não para entrar na polêmica (sim, eu já sei que você que é tradicionalista ou sedevacantista talvez já esteja pensando em me escrever um comentário do tamanho do mundo. Mas calma…), o que eu quero é mostrar que enquanto a Igreja não falar claramente sobre o assunto como fez com relação ao Rito da Paz, a polêmica continuará e sinceramente não tem ninguém no mundo que faça o quadro mudar. Até na JMJ 2013, a missa foi tocada com instrumentos normais e não vi ninguém enchendo a “paciência” por causa disso. Porém… Há de se reconhecer que muitos não que gostam destes instrumentos na missa, tem lá certa razão, não pelos instrumentos em si, mas, sobretudo em virtude dos que usam os instrumentos: os músicos!

No período quaresmal

Bateria e percussão: tocar moderadamente. Diminua a quantidade e a intensidade das notas. Troque baquetas por vassouras ou baquetas acústicas, até mesmo troque a bateria por um Cajon! Veja muito bem a realidade da sua paróquia, o que ela exige.

Violões, guitarras, baixos, teclados, etc: moderação. Essa é a minha dica. Guitarras distorcidas, solos envolventes, acordes mal colocados, aquelas demonstrações de sabedoria musical, não cabem na liturgia, muito menos nesse tempo.

Na minha opinião, não é necessário retirar instrumentos, porém se o ministério ainda não tem maturidade musical para atender o que o tempo da quaresma  pede, aí sim é melhor que se retire alguns instrumentos, deixando talvez um piano ou teclado e um violão. Cada qual precisa avaliar a atuação do ministério num todo e dos seus membros

Não existe nenhum documento (até hoje) que fale que X instrumento pode ou não pode. Mas cabe a cada um entender aquilo que é necessário ou não.

Lembre o Padre é a autoridade. Se ele falar que não vai ter, não vai ter!

Como é na sua paróquia? Comente!

 

ps: estou muito afim de escrever sobre bandas católicas e músicas  (desde estrutura musical até arranjos) comente qual música ou banda  você gostaria de saber mais!

Deus abençoe!