O meu filho ama jogar videogame. Você já reparou como são os consoles de hoje em dia? Ele tem Xbox com controle Wi-Fi. Acho muito interessante e útil ter um controle que se conecta com o console sem precisar de um fio, porque sou de uma geração que cresceu jogando videogame com o controle sem muita mobilidade. Você tinha que estar próximo ao videogame e colado na tv.

Por outro lado, existe uma diferença entre os antigos videogames e os atuais: nos novos, os controles funcionam com bateria. De tanto usar ela acaba e desconecta do videogame. Antes de ser surpreendido e a brincadeira acabar por falta de bateria, você tem que reservar um tempo para recarregar. No Super Nitendo, o Master System e nas primeiras versões do PlayStation, o fio garante que a brincadeira não termine antes da hora.

Ao observar as diferenças, fiquei pensando sobre os casamentos de antigamente e os casamentos de hoje. Os casamentos de antigamente eram presos por um fio. Alguns pensam que é a tradição ou a fé e outros que era uma ligação social ou dependência financeira do casal. Era comum ver famílias sobreviverem na hipocrisia por anos, separadas, infelizes dentro do mesmo teto.

De acordo com as últimas pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção é de três casamentos para cada divórcio no país. É uma realidade difícil de esconder, basta sair na porta de casa para ver o sofrimento das pessoas. Hoje, não existe mais o fio social que amarrava as relações. O que segura é a verdade. Chegamos ao ponto em que tentam nos convencer que a “separação pode ser um ato de amor”.

Vida a dois é difícil, o dia a dia cria rotinas, os conflitos aparecem, a questão financeira pesa e as conversas substituem o diálogo ao longo do tempo, até que a bateria da relação vai descarregando. Amar poderia ser fácil como jogar dominó, mas a vida entre duas pessoas é complexa. Não há como negar que somos meio esquecidos. Vivemos com as nossas angústias, carências, traumas e neuras. Quem é que tem todos os parafusos no lugar? Ninguém, né. Quando junta os dois então.

O relacionamento mostra que a perfeição não existe. Só Deus é perfeito. Competimos para ver quem é mais maníaco, quem tem mais problemas familiares, quem se irrita mais com a rotina, quem explode mais com outro.

Cedo ou tarde, todo casamento vai passar pelo momento em que a bateria vai ter que ser recarregada. Antes de acabar e chegar ao ponto de desconectar a relação, o casal tem que parar, recarregar, fazer memória da própria história e recomeçar. Sempre é tempo de recomeçar. O que mantém o casamento é a decisão de ficar juntos, com o carinho, os mesmos objetivos de vida e uma decisão de seguir juntos sob a proteção de Deus. O Wi-Fi é a relação de Deus que nos mantém interligados com a liberdade necessária para decidirmos conscientemente vivermos juntos. Deus abençoa o casamento, mas o papel meu e seu é de manter a relação sem desviar nem para esquerda ou nem para direita (Provérbio 4:27).

Como anda o seu casamento? Se chegou o momento de recarregar, não se desespere. Faz parte, todo mundo vai passar por isso e você vai ter que recarregar outras vezes durante a vida. Então, pare, converse e recomece.