Me chamo Natália, tenho 20 anos, nasci em Palotina-PR onde morei até vir para a comunidade de vida na Colo de Deus (maio de 2017). Morava com meu irmão, minha mãe (meus pais são divorciados há uns 12 anos), com meus dois gatinhos haha, e ao lado meus avós, hoje a família se estendeu em comunidade, com vários irmãos (mas nenhum gatinho, chega né rs). A cada dia vejo o quanto Jesus foi e é cuidadoso comigo, e o quanto amo viver assim, ofertando o meu sim.

Bem, vim contar sobre meu testemunho através da dança, e como foi que me encontrei com Jesus nela, porque SIM, todas as obras vêm a partir d’Ele porque Ele é artista… Eu provei disso!

A dança pra mim sempre foi refúgio, pois “podia” sem medo amar.

Iniciei aos 7 anos – não porque gostava pra ser bem sincera, eu via as meninas falando sobre e até se gabando por fazerem que sentia repulsa, não queria me tornar “metida”… na escola onde estudava no contraturno tinham cursos, eu era a única menina que ficou nas aulas de matemática, gostava muito por sinal e tinha facilidade, mas os meninos não levavam a aula à sério, eu ansiosa não aguentava ficar ali, por isso que fui para o ballet hahahah; levei um tempo até tomar gosto (a primeira professora só passava alongamentos e coreografia, eu estava cansada de decorar e ficar sem aprender ou poder rir… quando outra professora assumiu minha turma – sou uma prova de que técnica acompanhada de ludicidade contribuem muito com o incentivo tanto individualmente para a criança como em unidade da turma – enfim, me encantei!

Aos 11 anos fui para outro colégio por conta da idade mesmo, nesse não tinha dança, minha cidade era pequena, até tinha escola de dança, mas minha mãe não tinha condições de pagar. Um ano e meio depois, estava andando pela rua quando encontrei a última professora, que sabendo disso me deu uma bolsa para o ballet (até fiz outras modalidades como o contemporâneo e o jazz, mas sem aprofundamento era mais para me distrair com algo “diferente”, é eu não era o tipo que curtia sair muito – era de casa pra escola, dali pra dança que depois também se tornou trabalho e depois  a noite chegava em casa, cansada, e ficava com minha família.  Aos 14 anos comecei a “ensinar”. No início foi por necessidade, era isso ou parar de fazer ballet e começar a trabalhar para ajudar em casa, nisso o tempo foi passando, as turmas aumentando, e o amor foi ganhando lugar em mim.

Mesmo amando tudo isso, como viram minha vida era baseada nessa rotina que descrevi, tinha esse cansaço ou fisicamente ou por não encontrar alegria constante “sozinha”. Chegava a hora de dormir, e quantas vezes custei a isso por ficar tentando sonhar com o futuro mas não conseguir ver algo, parecia que não era possível, não queria envelhecer sendo “só” a tia do ballet, mas também “não sabia” como mudar a situação.

Mesmo tendo crescido na igreja tendo minha mãe e avós como bons exemplos, eu não tinha aquele ânimo sabe? Não tinha me encontrado com Jesus, acreditava em Sua existência mas sem ir mais afundo, o tipo de cristã morna.

A adolecência é a fase mais difícil para todos, no meu caso que não queria me submeter a “moda” de ficar, ir em festa – não vou mentir até tentei ir em show e festa (que posso contar na palma de uma mão hauhahahau) – mas por não ser lá meu gosto, pela timidez e dificuldade de confiar nas pessoas, não queria ser como um objeto. Além disso tinha os estudos, a pressão de alguns de minha família e a de ver muita gente ao meu redor parecer tão bem resolvido com o que seguiria, mas eu não me sentia confortável. O conhecimento realmente é algo bom, mas eu não me sentia preparada para essa vida de faculdade, para minha vida via que seria algo superficial, não queria viver por dinheiro, mas queria ser feliz de verdade. Em ambas as situações me entristecia por não conseguir me encaixar nesses padrões, ai então surge outro… vendo tantas histórias de superação, queria tanto poder viver da dança, acreditava que nunca a deixaria, ouvia tantas críticas por estar querendo viver assim, mas não desistia.

Realmente eu me escondia nela para ter a desculpa de “não posso, tenho ensaio!” ou “vou dar aula, chego cansada, então acho que não vou”. Lá eu gastava horas, no fim eu sempre apagava a luz e “dançava” de forma livre, mesmo sem ter me encontrado com Jesus eu falava com Ele sobre minhas dificuldades de forma simples, espontânea, pedia até pros meus anjos da guarda me protegerem quando estava desesperançosa, eu chorava por não ver o óbvio, minha vida não tinha sentido porque não assumia Jesus. Por isso não me interessava pelas amizades e coisas do mundo, porque só n’Ele encontraria a verdade e assim poderia entender quem sou, e que os sonhos d’Ele são melhores.

Aos 18 anos (2015), fui numa noite de louvor na capela da minha paróquia, sai querendo viver em Jesus, sentia algo muito forte, de que só ir à missa e aos grupos de oração não seria o suficiente. Mas me assustei, porque sabia que tudo iria mudar e tinha medo de ter que deixar a dança. Nisso, apenas guardei em meu coração.

Certo dia estava exausta fisicamente por ter dado aulas pela manhã em outra cidadezinha, sem ter me alimentado direito, minha saúde não estava lá muito boa, pra colaborar meu pé estava machucado, e eu estava chateada com muitas coisas que me aconteciam. Retornei para arrumar minhas coisas e então fui para um festival em uma cidade vizinha. Ao fim da marcação de palco me sentia hooorrível em todos os sentidos. Eu só não desisti porque sabia que poderia ajudar minha mãe com prêmio “caso” conseguisse. Antes de entrar no palco para me apresentar lembrei do que minha mãe principalmente me falava para pedir que o Espírito Santo me iluminasse, que estivesse comigo. Pedi com vontade, acreditando, mas sem imaginar como seria… Em palco logo que a música iniciou, sorri como se nada tivesse acontecido, era outra, ou melhor dizendo não era eu ali. Sai emocionada, pois havia compreendido o que tinha me acontecido (consegui ajudar minha mãe).

Voltei então nessa mesma semana ao grupo de oração. Fiz amizades! (rs) Uma dessas amizades (Morgana) me tirou o medo que tinha, me mostrou um vídeo da comunidade com uma ministração de dança. Entendi que Deus tinha muitos sonhos para minha vida ainda pela frente, mas que se Ele nos dá um agrado é para que busquemos entender como usar para Ele. Ou seja, adorá-lo com a Arte é premitido. Afinal, ela não é a melhor forma de nos expressarmos?

Aos poucos fui deixando os palcos (não é errado ser bailarina e se apresentar, mas entendi que esse não é o meu chamado por isso não sentia paz, faltava algo) e passei a orar mais em meu quarto, meu verdadeiro refúgio, pois ali encontro Deus que me consola e me dá forças para superar.

Antes de entrar para a comunidade, me chamaram e então ministrei algumas vezes em minha Paróquia, pois entendi que além de adorá-lo desta forma, eu também deveria colocar minha dança à serviço, porque esse é o sentido de ministério, e como cristã, católica (orar, servir e adorar). Enquanto estava no vocacional, tive algumas experiências com o carisma. Aqui descubro intensamente que devemos buscar ser dóceis ao Espírito Santo estando em intimidade com Ele (buscar o discernimento e obedecer a vontade de Deus). Lembro-me bem das primeiras vezes no ministério, logo que entrei para a comunidade entrei para o Miriã (na época que estava divido por “estilo”, hoje em união é o Lucas 1,26), fui formada em meio a choros e risadas. Vi minha fraqueza: ter um pouco de técnica mas achar que isso não adiantava de nada, porque não me achava espiritual, acabava que não sabia unir os dois. Aos poucos fui entendendo que quando temos intimidade com Ele, devemos sim deixar tudo, mas esse deixar tudo vem do coração. O exterior só refletirá o que tiver primeiro interiorizado (não digo isso não só ministerialmente tá?! rs… é pra tudo!).

Atualmente sou professora de ballet no Instituto Santa Teresa em Curitiba, continuo SIM fazendo aulas hahah… Então ter aulas tá beleza, desdeee que para aprimorar o ministério para que ele seja realizado da melhor forma aos moldes de Deus.

Não sei como você se encontra, mas aí vai um questionamento: Você tem buscado refúgio onde?

Então é isso que vim falar hahaha… Beijoo!