“Ao educardes uma criança, pensai na sua eternidade” (Catecismo da Educação)

Logo de cara já quero colocar essa frase aqui para você refletir, pois mesmo ela sendo verdadeira hoje é pouco vivida. Provavelmente em algum momento da sua vida você deve ter ouvido de algum pai ou mãe a expressão “quero dar aos meus filhos do bom e do melhor”, ou então “quero dar a eles tudo o que eu não tive”, ou até mesmo “meu filho não vai passar por aquilo que eu passei”. Acredito que a maioria das pessoas que leram essas frases, se não todas, pensaram que esses pais se referiam às coisas materiais. E de fato, a maioria, se não todos, os pais que falam frases como essas também se referem a coisas materiais. Mas será que realmente o “do bom e do melhor” que os nossos filhos necessitam são coisas materiais?

Antes mesmo de engravidar do Miguel, Alex e eu já desenhávamos algumas coisas sobre como gostaríamos de educá-lo e consequentemente também os outros filhos que Deus nos confiasse. Uma das coisas que sempre pensamos como essênciais é que mesmo se tivéssemos condições financeiras não gostaríamos que ele tivesse muitos brinquedos, muitas roupas ou todo tipo de coisa. Então mesmo que nós não comprássemos e ele acabasse ganhando, como é comum com crianças, gostaríamos de ensiná-lo desde cedo a dividir e que não é essêncial para nós termos todas as coisas. Isso tudo porque entendemos que o básico para uma criança não são as coisas materiais que elas ganham, mas sim o tempo que os pais dedicam a ela. Que ganhar coisas faz parte e é muito bom, mas que isso não substitui o básico que é o carinho e a atenção dos pais.

Vivemos em um tempo onde os filhos são vistos como um gasto. Em linhas gerais, casais querer ter um, no máximo dois filhos porque eles custam caro. Isso quando querem, pois muitas vezes nem ao menos um, já que um cachorro pode “substituir” o lugar de uma criança por um preço bem menor. Infelizmente muitos casais adotam um animal como filho e tratam-no em condições maravilhosas, querem suprir a falta de uma criança, mas sem a responsabilidade que ela traz consigo. Um filho não tem preço. Filho tem VALOR! Valor que vem do céu que não se paga, pois de graça nos foi dado para que um dia possamos encaminha-lo novamente para a graça de Deus.

Claro que na educação existem custos, mas não podemos tratar os filhos como se fossem simples mercadorias que adquirimos ou não, conforme a nossa condição financeira. Jamais podemos nos esquecer de que quando subimos ao altar e juramos receber com amor todos os filhos que Deus nos der, e educá-los conforme a Doutrina e os ensinamentos da Santa Igreja estamos fazendo uma promessa para Deus e isso não pode cair no esquecimento.

São Josemaría Escrivá dizia que “O sacrifício não esta só em conceder algumas horas, mas em gastar a vida inteira em benefício deles”. Isso significa que não posso trabalhar fora ou que devo estar 24hrs do dia com meu filho sem deixa-lo se quer para ir ao banheiro? Claro que não! Mas significa que os filhos são prioridade e precisam de nós, em nossa totalidade, em nossa doação máxima e isso requer tempo.

Hoje em dia, muitos pais terceirizam a educação dos filhos, mas vale lembrar a educação do filho é responsabilidade dos mesmos. “Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores. Esta função educativa é de tanto peso que, onde não existir dificilmente poderá ser suprida” (Declaração sobre a Educação Cristã do Vaticano II).

Filhos são bênçãos vindas de Deus e é para Ele que devemos educa-los. Diferente de outro dito popular que diz que educamos filhos para o mundo. Eu não quero educar a minha prole para o mundo, mas sim para o céu.

“Para um homem que teve uma boa mãe, todas as mulheres são sagradas”
(Johan Paul Richter).