Quando Alex e eu fizemos o nosso curso de noivos, várias perguntas foram feitas aos participantes, dentre elas o motivo pelo qual gostariam de se casar. A maioria dos noivos respondeu que era por que já estavam há muito tempo juntos ou simplesmente porque se amavam, ou seja, depois de longos anos de namoro, sem mais expectativas, decidem se casar para “oficializar” o relacionamento. Infelizmente essa é a realidade de muitos casamentos, porém, diferente do que muitas pessoas pensam, o fato de estarem juntos há bastante tempo não é um quesito imprescindível para o casamento e o amor não é apenas um sentimento ou um estado emocional que te faz sorrir a toa ou sentir “borboletas no estômago”.
Antes de qualquer coisa, para que haja um matrimônio é necessário que haja decisão. A decisão de querer estar com aquela pessoa na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, ser fiel, amar e respeitar todos os dias até que a morte os separe. Isso não é mero poema, essas palavras não são ditas simplesmente por serem bonitas, elas são uma promessa. O amor engloba um conjunto de atitudes que exigem renúncia das vontades individuais pelo bem estar do outro (e, quando eu digo ‘bem estar’, não estou me referindo aos mimos do mundo, mas à santidade, que isso fique bem claro). O amor é um sacrifício, é esse tipo de amor que te ajudará a cumprir tais promessas.
Porém, para a construção de um relacionamento saudável; para atingir esse amor que tudo suporta, crê e espera, é necessário que uma base bem forte seja firmada, e essa base tem início na amizade. Quando Alex e eu começamos o nosso caminho de namoro (tempo de oração e conhecimento antes do namoro) a orientação dos nossos formadores foi: “Busquem ser melhores amigos, se vocês rezarem e jejuarem ‘Jesus vai responder se ‘Ele deseja de vocês um namoro e, consequentemente, o casamento. Se não for essa a vontade de ‘Deus, vocês serão grandes amigos”.
Na primeira etapa nós não nos beijamos ou saímos de mãos dadas por aí, não fazíamos nada que namorados podem fazer. Nós apenas conversávamos e, como ainda não tínhamos WhatsApp e não morávamos perto, o jeito era a SMS, ligação, nos unirmos também em oração, jejuns e partilhando da Lectio. Quando nos víamos, era sempre em missão ou na casa comunitária. Com essas atitudes, a nossa amizade foi crescendo cada vez mais. Não foi apenas emoção, foi antes de tudo decisão. Todo esse processo se reflete hoje no meu casamento, tenho no Alex além do tudo um amigo, o meu melhor amigo. Alguém com quem eu sei que posso contar, desabafar, chorar, brincar.

Nem todas as pessoas começam um relacionamento rezando, mas se você está lendo esse blog é porque com certeza ‘Deus quer mais de você. Se você já é casado(a), comece hoje mesmo a ver no seu esposo(a) seu melhor amigo(a), alguém com quem você pode e deve contar, ter atitudes práticas para que isso seja real. Se você ainda é solteiro(a), comece entregando a ‘Deus o seu coração, para que seu futuro relacionamento seja fruto da sua oração.
Essa cumplicidade toda é necessária, mas o essencial é ‘DEUS, é ‘Ele quem dá sentido a todas as coisas. Assim como nas núpcias de Caná, a presença de ‘Jesus e sua mãe no relacionamento é fundamental. Às vezes, por descuido dos cônjuges, falta o vinho, mas ‘Jesus cuida dos pequenos detalhes e faz com que tudo fique exatamente ordenado para o amor. Por isso, é importante que os esposos separem um tempo para conversar, passear sozinhos, ver um filme, dar risada, rezar, ir ao encontro de ‘Jesus no sacrário; apenas ficarem juntos, mesmo que seja no silêncio.
Ao contrário do que muitos pensam, o amor precisa ser cultivado dentro do relacionamento nas pequenas atitudes do nosso dia a dia, deixando de lado aquilo que nos afasta de ‘Deus e do companheiro que ‘Ele nos deus. Sacrificando muitas vezes a nossa vontade para agradar o outro e sempre se importando mais em fazer o outro feliz ao invés de ser feliz. “O amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa (…)” (CIC 1643). É preciso se doar por completo, não somente o corpo, mas também a própria vontade.
É importante lembrar que se doar não é fazer boas ações esperando algo em troca, é fazer por livre vontade, esperando apenas agradar a ‘Deus com nossas atitudes. É procurar agradar a ‘Deus em primeiro lugar, assim, faremos felizes também o nosso cônjuge e, mais do que isso, o ajudaremos a buscar o essencial que é ‘DEUS.

Que Deus abençoe abundantemente a vida e o casamento de vocês!
Muito obrigada por todos os comentários, sugestões etc. Espero que as nossas partilhas estejam ajudando vocês a buscarem a santidade e acreditarem no Matrimônio como um caminho de santidade e encontro com ‘Deus