Ao longo da nossa história, nós vamos descobrindo que temos uma sede de plenitude. Não basta satisfazer as nossas necessidades biológicas: temos sede de muito mais. Jesus começa a Sua pregação sobre a Eucaristia dizendo que não é só do alimento que sacia o corpo que precisamos (cf. Jo 6,27). Temos muitas outras necessidades: buscamos segurança, procuramos vínculos, precisamos ser amados, precisamos amar. E indo mais longe: temos uma sede de um Sentido e de uma Plenitude que o mundo não é capaz de nos dar. Eucaristia é isso: Plenitude. É a Nova Aliança no Corpo e no Sangue do Cordeiro, da qual a Antiga Aliança, ou seja, o Antigo Testamento, é somente uma sombra e uma preparação (cf. Hb 10,1). 

Nós vemos, em toda a história da salvação, a Glória de Deus que foi experimentada pelos grandes homens e mulheres. A Glória que experimentou Abraão, em ter ouvido a Voz de Deus lhe revelar que seria pai na fé de uma multidão (cf. Gn 17). A Glória que experimentou Moisés, em ter visto a Sarça queimar sem se consumir na Montanha Sagrada e descer da montanha com o rosto resplandecente (cf. Ex 3; 34,29-33). A Glória que experimentou Davi, em ser um precursor do Messias e adorar a Deus diante da Arca da Aliança, dançando e saltando na liberdade de filho (2Sm 6,14-18). Mas tudo isso é sombra: a Plenitude é Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29).

Cada vez que comungamos o Corpo e o Sangue do Cordeiro em estado de graça, com fé e adoração, experimentamos a Glória de Deus de uma maneira muito mais plena do que Noé, Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi, Isaías, Jeremias ou qualquer um dos patriarcas e profetas jamais experimentaram. Eles sonharam em ver o Messias, mas não viram. Eles eram do tempo da Promessa: nós somos do Tempo do Cumprimento da Promessa.    

Abraão foi um homem que amou profundamente a Deus. Qual a medida do Amor que ele teria pelo Corpo e Sangue de Jesus, se pudesse estar diante Dele? Moisés passava madrugadas inteiras em intimidade com Deus na Montanha Sagrada. Quanto tempo ele passaria e com qual intimidade, se estivesse diante de Jesus Eucarístico? Com qual alegria e entusiasmo Davi adoraria a Deus, se estivesse não mais diante da Arca da Aliança, mas diante do próprio Corpo de Deus? Nós experimentamos uma Glória maior do que todos eles experimentaram juntos, e qual é a nossa atitude? Qual o nosso Amor e a nossa adoração? 

Se a adoração que praticaram estes homens nos inspira, tanto mais a adoração que pratica a Virgem Maria. Ela é a Arca da Nova Aliança (cf. Ap. 11, 19; 12, 1-2), que porta não mais a Palavra de Deus escrita na Pedra, mas a Palavra de Deus feita Carne. Maria nos ensina a adorar, e adora Seu Filho junto conosco. Na Santa Missa, as Mãos do Sacerdote são como o Útero da Virgem Maria, que geram a Carne de Cristo. Por isso, na Consagração, acontece o Milagre da transubstanciação: a substância muda, pois não existe mais pão e vinho, mas somente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, escondido sob as aparências do pão e do vinho (cf. Catecismo n. 1373-1381).

Antes da pregação de Jesus sobre a Eucaristia, Ele realiza dois milagres: multiplica o pão, mostrando o poder que tem sobre o pão (cf. Jo 6,14) e caminha sobre as águas, mostrando o poder que tem sobre o Seu Corpo (cf. Jo 6, 16-21). Se tem poder sobre o pão e sobre o Seu Corpo, pode tornar o pão, que neste caso se faz mera aparência, no Seu Corpo Glorioso. Cristo é o mesmo (cf. Hb 13,8), e os milagres continuam acontecendo na história da Igreja. 

A Solenidade de Corpus Christi tem a sua origem em um Milagre Eucarístico, na cidade de Orvieto, Itália, no ano de 1263. Deus realiza os Milagres Eucarísticos para nos ajudar a crer. Mas o maior Milagre, escondido aos nossos olhos, acontece todas as vezes que a Santa Missa é celebrada. A Solenidade de Corpus Christi é uma profecia que nos recorda: de fato, o Verbo se Fez Carne, e habitou no meio de nós (cf. Jo 1,14). Que neste dia, nós possamos proclamar muitas vezes: “Eu adoro com a Virgem Maria, Jesus na Eucaristia!”

Autor: Padre Francisco Amaral (*)

(*) É sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá. Realiza um ministério de evangelização pelas mídias sociais (instagram, facebook e youtube): /padrefranciscoamaral