RCC

Pronunciamento – Fernando Nascimento

 

Meus irmãos e irmãs, meu nome é Fernando Nascimento, tenho 32 anos, sou casado com Vanessa Moscoso e pai de três filhos. Sou formado em Humanidades Clássicas no College of Classical Humanities of the Legionaries of Christ, nos Estados Unidos, e fiz meus estudos filosóficos no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, também dos Padre Legionários de Cristo, na cidade de Roma. Pertenci a esta Congregação Religiosa por oito anos, professando os conselhos evangélicos de Pobreza, Castidade e Obediência e vivendo de acordo com os princípios e normas da Congregação. Atualmente, dou continuidade aos estudos Teológicos.

Participo alegre e semanalmente do Grupo de Oração Coração de Jesus, coordenado por meu irmão e amigo Odirlei. O coordenador da nossa forania aqui é meu irmão e amigo Adilson; minha coordenadora arquidiocesana é a Edna; minha coordenadora estadual é a Lucimar Maziero e minha coordenadora nacional é a Kátia. Desde os 12 anos eu sirvo àquele que transformou a minha vida e a vida da minha família em um grupo de Oração da Renovação Carismática Católica.

Tenho um temperamento forte e muitas vezes o sangue realmente sobe. Vivi momentos de afastamento, de incoerência – entre os anos de 2009 e 2010 – mas o Senhor Jesus me estendeu a Sua mão, me chamou de amigo, me trouxe de volta há alguns anos. Hoje exerço – desde 2014 – minha vida profissional e missionária na Associação do Senhor Jesus e Rede Século 21 com o Pe. Eduardo Dougherty, o pioneiro e principal responsável pela chegada da Renovação Carismática Católica ao Brasil.

O Conselho Nacional da Renovação Carismática Católica é uma instância de escuta profética e de direcionamento. Eu creio firmemente que Deus fala a este conselho e sempre disponho o meu coração para viver cada uma das moções oriundas dele.  Salvaguardar a identidade da experiência carismática e fomentar a comunhão por meio de serviços oferecidos é a valiosíssima missão desempenhada por nossos líderes carismáticos.

Nós, carismáticos, não acatamos aos direcionamentos do Conselho Nacional “por força de Lei”, por “obrigatoriedades” ou por condições “sine qua non”. Nós acatamos aos direcionamentos do Conselho Nacional porque fomos batizados no Espírito Santo e este Espírito realiza em nós aquilo que realiza na Santíssima Trindade – como afirma Santo Agostinho no DE TRINITATE: Ele gera COMUNHÃO DE PESSOAS. Nós recebemos amorosamente os direcionamentos do Conselho Nacional porque cremos que ele seja a instância profética de escuta e de direcionamento que nos coloca no centro da vontade de Deus para a Renovação Carismática Católica! O material formativo, o planejamento estratégico, etc., são serviços para nossa comunhão e nós acatamos aos mesmos porque estamos vinculados, não segundo a lei, mas segundo a graça!

Dizer que os líderes da RCC são “ministros da reconciliação”, que servem à Comunhão e que exercem seu ministério não porque possuam um múnus de governo, mas porque lhes foi confiado pela Igreja – segundo os Estatutos do ICCRS – o ministério da comunhão, é diminuir aos nossos líderes? É afrontá-los?

Irmãos, tudo aquilo que eu escrevi está à disposição no meu blog para análise de todos os que desejarem. As denúncias que fiz não acontecem POR CAUSA DO CONSELHO NACIONAL… elas acontecem APESAR DO CONSELHO NACIONAL. Minhas palavras não fazem oposição ao Conselho, não denigrem ao Conselho, não afrontam ao Conselho Nacional, mas MUITO PELO CONTRÁRIO: Corroboram com tudo aquilo que o Conselho faz, com sua missão! Meus escritos e falas estão a serviço da Missão do Conselho Nacional, em unidade com a natureza intrínseca do Conselho Nacional. REPITO: NENHUMA DAS PRÁTICAS DENUNCIADAS NOS MEUS ARTIGOS E FALAS SÃO AVALIZADAS PELO CONSELHO NACIONAL, ou seja, O QUE EU FALEI É DE ACORDO COM AQUILO QUE A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA APRESENTA NOS SEUS ESTATUTOS INTERNACIONAIS E ESTÁ DE ACORDO COM O DIREITO CANÔNICO.

Quando eu escrevi o artigo, pensava atingir uma realidade bem regional. Tratava-se de uma reflexão privada de um “carismático” da cidade de Valinhos. Ao colocar o artigo nas redes sociais, o mesmo encontrou eco no coração de muitos irmãos e foi “viralizado”. Não era a intenção primeira, mas… não vejo problemas no fato da reflexão chegar ao acesso de tantos, uma vez que ela não é, em absoluto, contrária as práticas ensinadas e defendidas pela Renovação Carismática Católica, expressas, eu repito, nos Estatutos Internacionais e no Direito Canônico.

Eu quero pedir perdão aos meus líderes, especialmente do Conselho Nacional, pelos incômodos causados. Quero, aqui, honrar a vida e trabalho de entrega de vocês à missão que lhes foi confiada. Nunca foi minha intenção “fazer oposição” aos meus líderes – e, de fato, não o fiz -. Por favor, se vocês encontrarem qualquer erro, inverdade, imprecisão… Comuniquem-me, e eu farei pronta retratação.

Alguns líderes estão se pronunciando privadamente – nenhum deles falou comigo, pediu esclarecimentos, me ofereceu alguma correção, NADA – e os argumentos são: “O Fernando é polêmico”, “o Fernando quer aparecer”, “o Fernando está generalizando algo que é pessoal”. Esses líderes de alguma forma intimidam as pessoas que “curtiram”, “comentaram” ou “compartilharam” as minhas reflexões, sempre sob o pretexto da PRUDÊNCIA. Então, dirijo minhas palavras finais para responder isto:

  1. Manifesto tristeza por não ter sido procurado por NENHUM desses líderes, em primeiro lugar.
  2. Manifesto tristeza porque, na falta de capacidade para o debate de ideias, usam “argumentos de autoridade”, do tipo “QUEM É O FERNANDO PRA FALAR ESSAS COISAS?” ou argumentos “ad hominem”, que optam por denegrir a minha imagem ao invés de refletir a verdade objetiva daquilo que eu venho expondo. São argumentos do tipo: “Ele é polêmico”; “Ele quer aparecer”; “Ele não é idôneo”, “Ele é rancoroso”, etc, etc. Argumentos de autoridade e argumentos ad hominem. Que posso fazer com eles? Nada. Simplesmente dizer que eles não são cristãos, que não são éticos.

A questão da polêmica, por último: Há muitos anos eu me irrito com esta falsa prudência na Igreja Católica em geral. Em nome da prudência vi meus antigos superiores esconderem a vida dupla de nosso superior geral. Em nome da prudência, vi Bispos escondendo padres pedófilos em inúmero até difícil de calcular. Em nome da prudência, vi e vejo problemas de doutrina NUNCA serem resolvidos. Cito, por exemplo, a questão ecumênica, que é DA ESSÊNCIA DA RCC e que muitos líderes não querem aceitar e… Ninguém nunca se pronuncia oficialmente porque “não é prudente”. Vocês me desculpem, mas essa “falsa prudência”… Eu não a quero na minha vida!

Se São João Batista, cuja festa se aproxima, tivesse sido “prudente”, aos moldes do que esses irmãos apregoam, teria falado “com jeitinho” e mantido a cabeça. Se Sto. Atanásio tivesse sido “prudente”, ele não teria sido exilado 7 vezes, e teria ficado na sua diocese, em paz e feliz.

Eu tomei todo o cuidado para escrever com parcimônia, citando fontes. Não direcionei minha palavra a pessoas, nem mesmo a um conselho: Falei de modo aberto, no campo das ideias, porque fui ensinado, desde os 14 anos, a expor a verdade na caridade. Não criticar pessoas… criticar ideias!

A CNBB, queridos irmãos e irmãs, não faz parte da estrutura hierárquica da Igreja Católica. Ela é a Colegialidade dos Bispos do Brasil. A conferência existe para fomentar a comunhão, prestar serviços e assim por diante. É, assim como nossos conselhos na RCC, uma instância de serviço e de comunhão que serve os Bispos nas suas dioceses, não com MUNUS DE GOVERNO, pois cada Bispo é soberano em sua jurisdição eclesiástica, mas na caridade. As pessoas não entendem isso, no Brasil. Querem dar um “status de ex cathedra” a pronunciamentos da CNBB que não possuem este caráter ou querem, por outro lado, menosprezar a CNBB como se ela fosse semelhante a um gremiozinho escolar. São duas posturas diametralmente opostas, mas igualmente erradas!

Analogamente, o mesmo acontece em relação aos líderes da RCC reunidos em conselhos. Isso é diminuir e afrontar os nossos líderes? Eu acho que não! Estou disposto a me retratar!

Mais uma vez peço perdão.

 

 

 

Escrito por Fernando Nascimento
Fonte: Blog Sobre a Rocha de Pedro

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