A VOZ DA IGREJA

PENTECOSTES E A MISSÃO

“RECEBEI O ESPÍRITO SANTO”
(Jo 20,22)

Um pouco de matemática! 7 x 7 + 1 = 50. “Que é isso, Pe. Alex? Matemática??? Você está louco?” Um monte de gente deve estar pensando isso ao ler este texto!!! Mas eu insisto! Matemática!!! Uma matemática teológica, daquelas que a Bíblia está cheia! E esta matemática divina (doideira, mas foi Deus quem inventou a matemática, hehehe!!!) nos ensina algo sobre esta importantíssima solenidade, que marca o início da missão da Igreja!

Sete, na Sagrada Escritura, é sinal de Plenitude. Quando Deus fez o mundo, descansou no sétimo dia – plenitude de sua obra. Imaginemos o que é uma plenitude. É uma realidade plenamente acabada, completa, sem defeitos, sem erros. Agora, imaginemos uma plenitude das plenitudes… A plenitude vezes a plenitude (7 x 7) é a máxima plenitude!!!

Agora, imaginemos essa plenitude das plenitudes, com um “plus”, com um toquezinho a mais, como uma cereja do bolo! É isto!!! Uma plenitude que transborda! Uma plenitude de plenitudes que é a máxima graça! A plenitude que ultrapassa toda compreensão, que não cabe em nenhuma plenitude meramente humana – é uma Plenitude divina. O número 50 quer significar essa “Ultra Plenitude” (7 x 7 + 1 = 50).

Pentecostes é isto! Cinquenta dias depois da páscoa. Hoje celebramos a Plenitude das plenitudes e mais um pouco daquilo que nos foi dado no Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo!
O POVO Judeu já celebrava esta festa da Plenitude. Era a salvação plena, fruto da libertação do Egito. Recordava o evento do Sinai – onde Deus selou a primeira aliança no sangue de um cordeiro e formou o seu Povo entregando as tábuas da lei. Este fato ocorreu depois de uma manifestação grandiosa de vento, fogo e grandes ruídos.

Essa é a festa, portanto, do cumprimento pleno do Plano da Salvação. Plenitude essa tão grande, que não cabe em nossa história, não é construída por nós. Mas, na Nova e Eterna Aliança, é fruto do sopro vivificador do PAI, por JESUS, em nosso meio. O monte do Cenáculo treme. Sobre ele sopra um vento e soa um ruído muito forte: O DEUS da vida está soprando… Nova vida vai criar. Do Sangue do Cordeiro Divino já foi selada a Salvação. Dessa nova Páscoa brota a plenitude da salvação.

Hoje, Deus Cria seu povo: A Igreja. Deus lhe dá a sua Lei: o amor. Deus faz-se conhecer por todos os povos, enviando os Apóstolos em missão. Deus unifica todas as raças e línguas numa só fé. Hoje, Deus nos dá a plenitude da páscoa – a páscoa total, a salvação plena a acontecer no meio dos povos pelo seu ESPÍRITO que nos foi derramado!


Plenitude da Vida

“…soprou sobre eles…” (Jo 20,22)

Segundo São João, Pentecostes acontece de um sopro suave de Jesus. Escutamos isto no Evangelho! O sopro do Senhor me faz lembrar um outro sopro: “Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se um ser vivente.” (Gn 2,7). Quem respira possui vida, não está morto! Deus é o autor da vida, e vivifica nosso nada, simbolizado pelo corpo inerte de barro de Adão. Deus sopra sobre um monte de barro e faz dele surgir um ser vivente. Faz de um monte de moléculas amontoadas um ser vivo, pensante, amante, capaz de se relacionar, de criar, de sonhar… Deus é o autor da vida e a fonte de toda a vida. Seu “Fôlego” enche de vida toda a criação. Tudo o que existe veio dele. É o Deus amante da vida que dele procede. Não é um Deus distante, mas próximo de nós, conosco a cada instante. Um Deus que não suporta a “morte”, por isso, com sua “Vida”, enche de vida todo universo.

E hoje, Jesus também “soprou”! Sim, Ele soprou. E seu “Sopro” também encheu toda criação. Na verdade, seu “Fôlego” é o mesmo “Fôlego” do Pai. Sua “Vida” é a mesma do Pai. Por isso ela enche o coração dos Apóstolos. Eles, que estavam mortos por causa do pecado. Estavam trancafiados na escuridão de uma sala cheia de morte, de medo, de tristeza, de decepção consigo mesmos por causa da fuga diante da Cruz de Jesus. Sobre sua morte, Jesus soprou a “VIDA”. “VIDA” que encheu de paz os corações. “VIDA” que Jesus possuía na plenitude da Ressurreição. “VIDA” que jamais poderia ser tirada, roubada, matada, humilhada, destruída. Pois é “VIDA” que vence a morte, é “VIDA” em plenitude.

Do sopro do Pai, por Jesus, nasce uma nova vida – a vida eclesial
Mas por que esse sopro de plenitude nos vêm? Porque se diz que hoje nasce a missão da Igreja? Na verdade, a plenitude da Páscoa só pode ocorrer com a vinda do Espírito Santo. De fato, no Cenáculo, mesmo que já se tivesse experimentado a presença do Ressuscitado, a Igreja nascente ainda não tinha se tornado ela mesma ressuscitada. E há uma diferença enorme entre sentir o Ressuscitado e ser ressuscitado nEle…

Na verdade, não é difícil de se perceber que não havia ainda, naqueles homens e mulheres, a PLENITUDE de VIDA do que significou a ressurreição de Jesus. Pedro e os demais seguidores de Jesus, estavam morrendo de medo. Tinham medo dos judeus e dos romanos que haviam crucificado o Senhor. Rápido se esqueceram da coragem de Jesus em ir para Jerusalém sabendo do risco que corria… Rápido se esqueceram do Senhor que não fugiu, mas expulsou os vendilhões do templo, terminando por decretar, por suas ações, o fim trágico na Cruz que nos trouxe a vida… E assim ficaram os apóstolos – fechados no Cenáculo por medo dos judeus. Segundo as Sagradas Escrituras, eles estavam lá, com medo de tudo. E assim eles permaneceram por dez dias. Tinham visto Jesus Ressuscitado, tinham experimentado a sua vitória… Tinham visto sua Ascensão. Mas ainda estavam com medo, refugiados na segurança daquela sala.

Sempre pensei que estivessem fazendo uma novena, ou em oração. Talvez estivessem mesmo… Mas não foi pra rezar que eles lá se esconderam. Estavam mesmo é com um medo tremendo.

Acredito que o Espírito Santo se cansou lá nos céus de ficar esperando que aqueles santos homens criassem alguma coragem por si mesmos e veio Ele em pessoa transformar aquela situação. Jesus soprou dos céus Aquele que procede de sua união com o Pai. E Ele desceu como vento impetuoso, arrebentando as portas e janelas do Cenáculo, expulsando todos lá de dentro das paredes que já se emboloravam… Ele mesmo os obrigou a sair e a falar com os judeus que mataram Jesus… Tinham que mostrar, pelas suas razões, que Jesus havia Ressuscitado. E assim o fizeram. E assim, ressuscitaram de sua morte. E por causa da coragem que o Espírito lhes deu, cá estamos nós, a viver e testemunhar a fé e Jesus.

Assim nasceu a Igreja! De um amontoado de gente diferente, Deus SOPROU e fez brotar um povo novo, um povo vivo, uma Igreja viva. Nosso mundo também precisa receber esse sopro de vida em plenitude. Por isso, nós precisamos nos deixar vivificar por esse “sopro”, por esse ESPÍRITO SANTO que hoje desce sobre nós. Podemos estar marcados pela morte que o pecado gera, mas não precisamos ter medo. Jesus Ressuscitou, e Ele nos comunica a Plenitude de sua Vida. Como Cristãos, precisamos deixar esse Espírito agir em nós. Tomar consciência de que Deus nos fez “povo vivo” no Sangue do Cordeiro. Devemos deixar que o ESPÍRITO arrombe as portas de nosso comodismo e faça de nós testemunhas da salvação do Ressuscitado diante de um mundo desorientado.


Sentinelas da Manhã

Dois mil anos se passaram, e os cristãos continuam os mesmos… Ainda há muitos que, mesmo sabendo da Ressurreição de Jesus, mesmo tendo testemunhado sua presença e seu amor, parecem querer continuar no Cenáculo trancados…

Precisamos escutar a voz da Mãe (aquela mesma que estava no Cenáculo também) a nos dizer em APARECIDA, pela boca de nossos Pastores (refiro-me ao documento promulgado em 2007): que sejamos uma Igreja missionária, feita de homens e mulheres corajosos, que rompam as paredes dos templos e saiam a invadir com a ALEGRIA (não com rancor e amargura) a sociedade que tem sede de sentido, mas que quer interlocutores e não juízes inquisidores. Homens e mulheres que saiam a levar a boa-nova e a fecundar um mundo marcado pelo pecado e a morte, RESSUSCITANDO-O como um lugar cheio de vida!

Rezo, peço muito ao Espírito Santo que se canse de novo de esperar que sua Igreja abandone o medo do Cenáculo. E convido você a rezar comigo pra que sejamos uma Igreja corajosa, sem medo, Sentinela da Manhã, na esperança da vida que pulsa na Plenitude do Espírito em nossos corações.

Deus não se esqueceu de nós! Ele sabe de nossa fraqueza! Ele sopra sobre nós seu Vento Arrasador e nos inflama com seu Fogo de vida, que treme nossas estruturas e nos faz viver PLENAMENTE. Não qualquer vidinha, mas a PLENITUDE da participação na ressurreição de seu Filho, Jesus Cristo! Que o Espírito nos ajude a invadir tudo e a tudo iluminar com a luz do Ressuscitado, que veio para QUE TODOS TENHAM VIDA, E VIDA EM ABUNDÂNCIA!


ORAÇÃO PARA PENTECOSTES

“DEUS VOS ESCOLHEU DESDE O PRINCÍPIO PARA SERDES SALVOS MEDIANTE A SANTIFICAÇÃO DO ESPÍRITO”
(2Ts 2,13)

Vem, Espírito Santo…
Retira-nos de nosso medo, que nos trancafia na segurança do Cenáculo.
Ajuda-nos a não nos acostumarmos com a forte presença do Ressuscitado,
de tal forma que não nos importemos com quem ainda não o conhece
nem experimentou a força de sua Vida.

Vem, Espírito Santo…
Abre nossos ouvidos para que escutemos os gritos da multidão
de homens e mulheres que se encontra do lado de fora de nossas Igrejas,
sedentos de verdade e vida.

Vem, Espírito Santo…
Desinstala-nos de nossas agradáveis reuniões,
celebrações, palestras, planejamentos…
Abre as portas de nossos templos e lança-nos para FORA.

Vem, Espírito Santo…
Ajuda-nos a reconhecer que não somos donos do Evangelho,
mas que este nos foi entregue como dom e como tarefa.
Coloca-nos em diálogo fecundo com o mundo,
a sociedade, os homens e mulheres do século XXI.

Vem, Espírito Santo…
Arranca-nos de nosso medo e envia-nos em missão,
anunciando a todos a Vida que um dia nos foi comunicada
e que nos tem renovado e plenificado, a fim de que o mundo creia,
e torne possível o Reino anunciado por Jesus Cristo,
que contigo e o Pai, vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

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