RCC

Pedro e Paulo: Hierarquia e Carisma

Uma Reflexão para a Renovação Carismática Católica à luz da memória de São Pedro e São Paulo

Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. Ef 2, 19 – 21.

Desde tempos longínquos a tradição cristã faz, de forma conjunta, a memória dos Santos Pedro e Paulo como duas colunas de singular importância na Igreja. Quero fazer uma simples reflexão em vista do recente documento da Congregação para a Doutrina da Fé – Iuvenescit Ecclesia – tendo em vista que Pedro e Paulo são figuras emblemáticas dessas duas dimensões coessenciais da Igreja – cf. Papa Emérito Bento XVI –: Instituição (Pedro) e Carisma (Paulo). Isto não significa, em absoluto, que Pedro não possuía “carismas” (até mesmo porque os dons são hierárquicos e carismáticos e, além disso, o que vemos nos Atos dos Apóstolos, quando olhamos para Pedro, é um homem emblematicamente “usado pelo Espírito” com manifestações de diversos carismas) e que Paulo não era, ele mesmo, um Apóstolo, fundador e organizador de Comunidades Cristãs (ações hierárquicas e institucionais): Trata-se de uma questão de “ênfase”: O ministério petrino é marcadamente hierárquico e o paulino, por sua vez, carismático.

Pedro e Paulo são juntamente lembrados pela Igreja para exprimir a inseparável complementariedade dos dons hierárquicos e carismáticos. Não podemos enxergar hierarquia e carisma de modo dualista e, por conseguinte, concluirmos que algumas coisas na Igreja são hierárquicas, outras são “carismáticas”, e que a soma dessas realidades conforma a Igreja. Isto, eu repito, é uma visão dualista. Uma realidade verdadeiramente eclesial não pode ser “meramente institucional” ou “meramente carismática”: Toda realidade eclesial é essencialmente institucional e carismática! Contudo, há ênfases que nós podemos, com facilidade, identificar, dentro das obras suscitadas pelo Divino Espírito, que nos ajudam a perceber uma acentuação “institucional” ou “carismática”.

A Renovação Carismática Católica já em seu nome nos mostra qual é a sua ênfase: A dimensão carismática da Igreja. Agora, que significa isto? Trata-se de uma realidade “vaporosa”, “anárquica”, “não identificável”? Nem uma realidade pode ser considerada “eclesial” se possuir semelhante natureza. A expressão “corrente de graça” – cunhada pelo Cardeal Suenens e defendida pelo Papa Francisco (o sucessor de São Pedro) – não pode ser interpretada erroneamente, de fato, e não pode significar algo “solto no ar”. O mesmo Cardeal Suenens – que falou da corrente de graça – organizou os serviços internacionais da RCC e o mesmo Papa Francisco – que tem reafirmado a posição de Suenens – tem demonstrado interesse na fusão da Fraternidade Católica e do ICCRS para que se preste um melhor serviço à Renovação Carismática no Mundo. Portanto, ela possui um corpo de serviço e de comunhão, bem ligado aos seus pastores, e, para manter sua singular missão de rosto e memória de Pentecostes, não é uma realidade uniforme ou unificada, sem regras de incorporação, assim por diante. Digo singular porque há outras realidades notadamente “carismáticas” que possuem regras de vida, fundador, etc. A Renovação é singular porque, de fato, é rosto e memorial de uma ação do Espírito que “sopra onde quer”, que “não se sabe de onde vem, nem para onde vai” e que existe para edificar a todos os carismas existentes na Igreja (hierárquicos e carismáticos).

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

 

Escrito por Fernando Nascimento
Fonte: Blog Sobre a Rocha de Pedro

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