SÉRIE: SANTA TERESA DE CALCUTÁ VIDA DOS SANTOS

NÃO TENHO NADA, SÓ SOU SEU!

“A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é suficientemente sério?”

Outro dia, estava a ler o artigo que minha irmã de comunidade Mayara escreveu, e fiquei a pensar: o complexo de inferioridade muitas vezes tem nos estagnado, olhamos muito para nós e para a nossa incapacidade e nos fechamos, travamos. Posso dizer também que nos acomodamos, deixamos para o outro e não cumprimos o IDE. Santa Teresa de Calcutá uma vez disse “por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”.

Aprendamos com Santa Teresa a viver neste desprendimento de coisas e pessoas, de uma maturidade na doação de si mesmo sem esperar um retorno. Aprendamos de quem esperou tudo dEle e entregou tudo a Ele. Esse foi princípio de cada dia, vivendo um equilíbrio do amor, pois teve um SENTIDO real.

A nossa vida precisa de um sentido, mas não necessariamente este sentido é movido por uma experiência física extraordinária. O sentido da nossa vida deve ser firmado em uma decisão, na fé: eu não O vejo, não O ouço, não O sinto, mas eu creio baseado na razão. Esta razão que dá sentido em tudo aquilo que me proponho a viver.

O testemunho de Santa Teresa tem muito a nos ensinar, pois ela viveu 50 anos na chamada “escuridão”, o que não fora empecilho para continuar a obra. O sentido da nossa vida deve ser firmado em uma decisão, é uma fé “vivificada”: eu não preciso ver para crer, Deus não precisa me provar que é Deus, eu não preciso prosperar ou ser curada, eu creio nEle, o Criador de todas as coisas.

“Um santo é um ser humano completamente vivo e desenvolvido que permitiu que Deus vivesse dentro dele e amasse através dele”

TESTEMUNHO

Olá, me chamo Bruna Avelar, na verdade é Bruna Rafaela Cardoso de Avelar, tenho 20 anos, e hoje vou falar um pouco sobre meu processo de conversão.

Até os 9 anos me lembro de ir á missa com meus pais e fazer catequese, porém nos mudamos e eu não continuei a catequese. Nisso, as idas à igreja diminuíram e as brigas entre meus pais aumentaram e eles se separaram. E a mãe saiu de casa grávida de um mês, (pois é, um dia eu conto a história toda). Lá com os 12 anos eu comecei a namorar, sair á noite, beber e até cigarro eu já tava experimentando.Sempre com “amigos” mais velhos. Aos 15 anos compramos nossa casa própria e nos mudamos pela milésima vez e eu diminui as saídas à noite e logo comecei a namorar de novo. Dessa vez em casa e trabalhando (como babá), estudando e namorando, pronto, achei que a vida tinha se resolvido. Pois, é muitas pessoas botam as expectativas de vida em namoro e coisas superficiais e eu não era diferente, principalmente depois de uma infância toda perturbada. Mas, depois de quase um ano nesse namoro alguma coisa em mim não estava bem e eu me sentia triste quando me encontrava sozinha. Havia um vazio em mim que eu não sabia mais o que poderia preencher.

Dormia e acordava assim e como das outras vezes achei que o problema fosse ele e não eu, pois eu sempre me achei madura e bem resolvida. Tinha passado por tanta coisa e assumido responsabilidades em casa que não eram compatíveis com a minha idade, então, jamais, eu imaginei que eu tivesse problema. Pois bem, terminamos e já me peguei tendo outros casos até que uma alma feliz, a Tati, me chamou pra ir em um grupo de jovens e eu fui por não ter uma opção melhor. E cara, foi o melhor convite que eu podia ter aceitado!!! Eu não tive experiência com emoção, arrepios, repousos ou coisas do tipo, mas fazia sentido, fazia muito sentido. E eu comecei a participar desse GOJ. E tudo que ouvia em pregação eu fazia porque queria sentir alguma coisa fisicamente como as pessoas falavam, mas não acontecia comigo e por várias vezes me peguei frustrada com essa situação.

Porém em mim havia uma decisão racional, e lendo sobre os santos encontrei histórias como a de Santa Teresa de Calcutá, que, por mais de 50 anos sem sentir Deus e se achando abandonada por Ele, não desistiu de viver por Ele e para o próximo. E mesmo antes de Jesus na minha vida, eu sempre tive o desejo de mudar o mundo (quem nunca?!) e sempre quis fazer algo efetivo pelos mais esquecidos. Mas claro que nesse tempo as coisas não eram tão claras e simples assim, mas nunca me deixei vencer pelo desânimo justamente porque em mim a conversão é mais razão que sentimento. Lembro-me de orações como “Deus, ocupa minha vida, meu tempo, me faz viver por tua causa, já vivi tanta coisa e só Você fez sentido até agora”. Mal eu sabia no que essa oração resultaria.

Resumindo, meu processo de conversão foi decisão e muito choro. Sim, eu não sentia! Por diversas vezes minha oração eram lágrimas, o que eu tinha era arrependimento de ter buscado em tantos lugares e pessoas “algo” que sempre esteve tão perto.

Hoje, sou consagrada de vida da comunidade Católica Colo de Deus, e acredite?! Santa Teresa de Calcutá é baluarte do nosso carisma, e hoje entendo o carinho que tive por ela quando a conheci. E sei que ela intercedeu e cuidou da minha vocação até que eu a encontrasse.

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