MATERNIDADE MATRIMÔNIO

MINHA VIDA DE OPRIMIDA

Sou formada no curso técnico de eletromecânica, que é considerado um curso masculino, e que, aliás, eu gosto muito. Cheguei a trabalhar na área e me identifiquei com a prática, como na teoria. Eu gostava muito de ficar quebrando a cabeça com aquelas contas de mais de uma folha para calcular as “coisas” de um motor (mas agora devo ter dificuldade de somar 1 + 1 com minha querida e velha amiga de curso, CASSIO - que, pra quem não sabe, é marca de calculadora).

Desde o início do meu curso estagiei na área, sempre gostei muito, muito mesmo, de trabalhar e, principalmente de receber o meu dinheiro. Como parte dos meus sonhos era me formar, trabalhar, ser independente e todas aquelas coisas, trabalhar pra mim não era um peso, mas algo normal que eu me via fazendo para sempre. Quando eu me casei, ainda trabalhava fora mas conseguia conciliar com as atividades do meu lar, e meu esposo sempre me ajudou na rotina da casa, seja limpando ou cozinhando, de modo que o trabalho não atrapalhava a nossa relação em nenhum aspecto.

Nós dois, até então, trabalhávamos e estudávamos e isso nos fazia bem. Geralmente ele saía antes de mim e voltávamos juntos para a casa, mas isso durou pouco tempo pois, assim que casamos, eu engravidei e então começamos a planejar o que pretendíamos fazer em relação a educação dos nossos filhos. Uma das coisas que decidimos foi que eu abriria mão de trabalhar para cuidar do Miguel e educá-lo como nós acreditássemos que fosse melhor, pois, apesar de confiar em algumas pessoas para cuidar dele, nada seria comparado à educação que eu mesma poderia dá-lo. Ensinaria a ele coisas que o Alex e eu achássemos importantes, ao passo que uma terceira pessoa talvez não tivesse tal docilidade.

Como parte da minha cura, a maternidade abriu em minha mente novos sonhos e trouxe pra minha vida uma nova maneira de enxergar todas as coisas ao meu redor. Eu gostava de trabalhar? CLARO! Eu amava a rotina de trabalho e faculdade, mas isso não era mais importante do que a educação do meu filho e o tempo que eu poderia dedicar a ele estando em casa.

Lembro que eu, por volta dos quatro anos, ficava dormindo em casa sozinha, assim que acordava ia pra casa da minha tia ao lado e ela cuidava de mim. Não sei se foi como a minha mãe esperava, pois cada mãe tem seu jeito próprio de cuidar, mas eu, enquanto criança, queria a minha mãe ali pertinho de mim cuidando de cada detalhe do meu dia.

Também me lembro que quando comecei a estudar esperava que ela arrumasse a minha lancheira ao invés de comprar algo na rua; que encapasse os meus cadernos e fizesse um desenho na primeira folha como as mães das minhas amiguinhas faziam. Claro, hoje eu entendo a situação da minha mãe, de ter que trabalhar para ajudar o meu pai nas necessidades da nossa casa, mas todas essas lembranças foram significativas para mim no momento em que decidi priorizar estar com o Miguel em casa.

Acho importante partilhar com vocês que o trabalho do Alex daria para sustentar a nossa casa, mas sem luxos. Jamais tivemos o pensamento de querer dar ao Miguel tudo do bom e do melhor e vejo, inclusive, que esse é um pensamento que muitas vezes priva um casal de querer ter mais de um filho, por medo de não poder dá-los tudo o que querem.

Desde quando soubemos que estávamos esperando um bebê, decidimos que a prioridade para o nosso filho seria o espiritual. Tanto a maternidade quanto a paternidade são uma missão: quando uma mulher engravida é dado a ela e ao pai a missão de encaminhar aquela alma a Deus, em direção ao céu. Claro que também gostamos que o nosso filho tenha coisas materiais, que são necessárias, mas queremos que ele aprenda que o verdadeiro valor está nas pessoas e não nas coisas.

Uma das conversas que eu mais ouço por aí é aquela de que: é uma opressão as mulheres terem que ficar "presas" em casa por causa dos filhos, por isso decidi partilhar sobre a minha vida de oprimida. É claro que existem mulheres que não podem abrir mão do seu trabalho para ficar em casa com os filhos, porque ajudam a sustentar a casa ou até mesmo porque são elas as provedoras. Mas, como Alex e eu poderíamos nos sustentar apenas com o salário dele, optamos por isso. Eu ainda quero me formar na faculdade - em Psicologia - porque fui percebendo em mim características que me tiravam de exatas e me colocavam em humanas. Já cursei por um ano, pretendo voltar em breve e ajudar muitas pessoas com a minha profissão, mas, antes disso tudo, quero garantir que o meu filho me tenha por perto nos momentos em que ele mais precisa, afinal antes de servir a sociedade quero servir a minha família.

Vejo muitas mulheres que se desgastam no trabalham, dão tudo de si, se consomem e nada sobra para os seus. Eu acho maravilhoso uma mulher que conquista o cargo desejado dentro de uma empresa, uma mulher que representa tantas outras e que luta pelos seus sonhos, mas admiro ainda mais aquelas que abrem mão da carreira profissional para se dedicar à maternidade, que descobrem na maternidade uma outra carreira. Mulheres empreendedoras que não pararam por ali, mas que foram criativas e usaram o dom da maternidade para fazer o que gostam junto aos seus filhos.

Outro dia conversei com a mãe de um irmão de comunidade e ela me disse que ficou 18 anos sem trabalhar para cuidar dos seus filhos, perguntei a ela se em algum momento ela se arrependeu e ela me respondeu: Jamais! Agora que os meninos estão grandes - o mais novo tem 13 anos - ela vai voltar a estudar e já está trabalhando.

Não acho que isso tenha sido tempo perdido, mas tempo aplicado, aplicado em cuidar daqueles que ela gerou na carne, vivendo, em todo esse tempo, através da sua renuncia e dedicação, gerou também no espírito. E o que eu quero com esse texto todo? Que vocês, mulheres que estão lendo isso, passem a ver, assim como eu, que nós temos sim que lutar pelos nossos direitos, principalmente pelo direito de ser mãe, de cuidar dos nossos filhos e dar a eles o melhor que podemos oferecer.

Aquilo que dinheiro nenhum nesse mundo compra: o nosso tempo. Meu filho já vai completar um ano e meio e, mesmo estando sempre com ele, às vezes tenho a impressão de que ele está crescendo rápido demais. O tempo passa e não volta, mas quero que, junto com o tempo e com o crescimento dele, cresça também a recordação de que eu dei a ele o meu tempo, quero que ele possa lembrar que pude estar com ele nas suas primeiras descobertas e brincadeiras.

Espero que você, mãe, que tem a chance de abrir mão do seu trabalho para estar com o seu filho, possa fazer isso sem medo de ser julgada. Você com certeza será recompensada, não por um dinheiro que receberá no fim do mês, mas pelos sorrisos diários, carinhos, primeiras palavras, primeiros gestos de amor, além dos abraços e beijos cheios de babas.

Hoje eu só falei do lado bom, mas também pretendo partilhar com vocês sobre o lado cansativo da maternidade, aguardem os próximos posts.

Além do mais, queremos saber a sua opinião, suas escolhas, como foi pra você abrir mão do trabalho ou como foi voltar a trabalhar depois do fim da licença maternidade. Partilha aqui com a gente!

Leia tbm:

  • Priscila Bianchi

    Obrigada por partilhar de sua decisão é experiência. Ainda não tenho filhos, e me casei recentemente, as nosso sonho é investir nosso tempo é momentos na educação dos pequenos, e desde já vamos nos conscientizando que amor e presença são as prioridades, e que em prol disso iremos abdicar de uma vida talvez mais confortável financeiramente. Saber que mais casais tem decidido por isso nos dá forças. Deus abençoe sua missão de mãe e serva de Deus. Sou psicóloga e fico feliz em saber que ainda irá se formar no curso e poderá ajudar muitas mulheres! Grande abraço

    • Dayane Tonon

      Priscila, a maternidade é um grande desafio, mas que, de todo o meu coração posso dizer, que vale a pena ser vivido. Nem preciso dizer que acho sua profissão maravilhosa né?! Se Deus quiser ainda vou ser uma Psicologa também, mas tudo no tempo dEle.
      Desejo desde já que a sua família seja de verdade um berço de santos! E parabéns pelo seu casamento. Felicidades!

  • Gabriela Fernandes

    Ah, esse texto entrou pra lista dos meus favoritos ♥

    • Dayane Tonon

      <3

  • Silmara Gonçalves

    Day, nossa minha irmã!!
    Sem palavras para expressar a alegria em ler este artigo, Deus lhe abençoe!

    • Dayane Tonon

      Amém Sil. Reza pela minha vocação!

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