RCC

Diferenças Básicas entre a RCC e as Novas Comunidades, Movimentos Eclesiais, Pastorais e Congregações religiosas

  1. Nas Novas Comunidades, Movimentos Eclesiais, Pastorais e Congregações acontece assim:

Deus chama uma pessoa e derrama sobre ela um DOM, um “carisma específico”. A esta pessoa, juntam-se outras que, de igual modo, foram chamadas por Deus a exercerem este “carisma específico” no Corpo Místico de Cristo. O fundador é, neste sentido, o transmissor do carisma e um critério essencial para que se discirna o que é o carisma, para que, com todos os seus desdobramentos. Para salvaguardar a maravilhoso DOM recebido, o fundador e o grupo fundacional criam PRINCÍPIOS E NORMAS que irão reger a vida desta NOVA REALIDADE ECLESIAL surgido do carisma. Estes princípios e normas vão reger o “pré-ingresso”, o “ingresso”, as etapas de formação, a disciplina de vida, qual é a missão específica, etc, etc.

A dinâmica das Novas Comunidades, Movimentos Eclesiais e Congregações é “ad intra”, ou seja: Evangeliza-se os que estão fora e, posteriormente, estes são “trazidos para dentro”, a fim de que BEBAM DO CARISMA.

Porque há fundador, moderador/Provincial/Diretor, e livro de regras, há, por consequência, uma lista de membros e uma hierarquia de governo.

O “Superior geral” desta NOVA REALIDADE ECLESIAL (Moderador/Provincial/Diretor), dentro do que é previsto no Direito Canônico, exerce um múnus de governo. A formação é obrigatória. O estilo de vida é obrigatório. Gozam de liberdade para determinar o que acontece ou deixa de acontecer em cada uma de suas casas de missão e apostolado.

As pastorais são realidades próprias dos dons hierárquicos da Igreja. Há diretrizes, hierarquia de governo, etc.

  1. A Renovação Carismática Católica, por sua vez:

O Final de Semana de Duquesne não foi uma fundação. Comemora-se este evento como um MARCO INICIAL. A Dra. Denise Brakebrough, autora da obra mais completa da atualidade sobre a RCC – “La Renovación en el Espíritu Santo” – defende, inclusive, que marco inicial é o dia no qual Patrick Burgeous, Ralph Keifer e Bill Story foram batizados no Espírito Santo (os três professores que organizaram o retiro). Contudo, antes disso, na Antiga Iugoslávia, como nos conta Patti Gallagher Mansfield, em sua obra “As by a New Pentecost”, o Cardeal Angelo Roncalli – São João XXIII – presenciara a realidade de uma Comunidade Católica onde os carismas fluíam com extrema naturalidade. Resumindo: Não há um fundador, nem grupo fundacional, nem data de início.

A Renovação Carismática Católica não tem um “livro regras” que paute um “pré-ingresso”, “ingresso”, “etapas de formação”, “disciplina de vida”, etc. Não há uma lista de membros. Não há uma hierarquia de governo.

A dinâmica da Renovação Carismática Católica é “ad extra”. As pessoas são evangelizadas e, depois, lançadas “na diversidade de carismas existentes na Igreja” (é desta dinâmica que nasceu a expressão “corrente de graça”, do Cardeal Suenens, tão repetida pelo Papa Francisco).

Dentro da cada jurisdição eclesiástica a Renovação Carismática acontece sob a tutela do Ordinário do Lugar.

Para salvaguardar a IDENTIDADE e a COMUNHÃO da experiência Carismática, o Cardeal Suenens, em 1978, criou um escritório Internacional, com sede em Bruxelas, que posteriormente foi mudado para Roma. Criou-se um Conselho Internacional de Líderes carismáticos cuja missão é prestar serviços para manter a identidade e a comunhão da RCC, respeitando as especificidades de tempos e lugares e a diversidade de realidades eclesiais surgidos a partir da própria RCC.

Os Conselhos Continentais, Nacionais, Estaduais e Diocesanos possuem a mesma natureza do Conselho do ICCRS: Serviço e Comunhão.

  1. Considerações Importantes

A Renovação Carismática Católica possui uma “Missão Específica”, um “proprium”, algo análogo ao que chamamos de “carisma específico” nessas realidades supracitadas. Seu “proprium” é o BATISMO NO ESPÍRITO SANTO. Dentro deste “proprium” há uma unidade, uma comunhão entre pessoas – que vivem esta experiência – e isto, ao menos sociologicamente, constitui-se dentro daquilo que se entende por MOVIMENTO. O Cardeal Suenens percebeu isto desde o princípio. Viu que havia uma identidade a ser salvaguardada e uma Comunhão a ser fomentada. A expressão “Corrente de Graça” era sim uma clara oposição ao conceito de Movimento Eclesial (tal qual se tem na Igreja até hoje), mas NÃO É, em absoluto, UMA REALIDADE VAPOROSA, ANÁRQUICA. O Papa segue afirmando que nós “Não somos um Movimento” (entenda-se: Vocês não são como os Focolares, o Opus Dei, o Regnum Christi, etc., vcs são diferentes dessas realidades: Nem melhores, nem piores, apenas diferentes). Nós somos “Movimento” (é por isso que estão dentro do Conselho Pontifício para os Leigos, como os demais), MAS… muito “A SUI GENERIS”.

Na verdade, fazendo uma analogia à Biologia, a Renovação é a única “espécie” do seu “gênero”, dentro da “família” dos Movimentos. É, como dizia o Cardeal Cordes: Um desafio Teológico e Pastoral!

 

Escrito por Fernando Nascimento
Fonte: Blog Sobre a Rocha de Pedro

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