RCC

A Natureza e a Missão das Instâncias de Coordenação na Renovação Carismática Católica

“Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A ele seja dada a glória e o poder por toda a eternidade! Amém[1].”

Na festa da exaltação da Santa Cruz – 14 de setembro – do ano de 1993, a Renovação Carismática Católica recebeu um importantíssimo reconhecimento por parte do Santa Sé: A Aprovação dos Estatutos do Serviços Internacionais da RCC. O decreto foi assinado pelo Conselho Pontifício para os Leigos, por meio dos Cardeais Joseph Cordes (na época, Bispo) e Eduardo Pironio, no qual foi declarado:

“O Pontifício Conselho para os Leigos decreta o reconhecimento do ICCRS como uma entidade de promoção da Renovação Carismática Católica, com personalidade jurídica, de acordo com o Canon 116, aprovando seus Estatutos, em sua forma original, depositados nos arquivos deste Dicastério[2]”.

Estes Estatutos são o mais importante documento no que tange à vida organizacional da Renovação Carismática Católica no Mundo. O Conselho dos Serviços Internacionais – ICCRS: International Catholic Charismatic Renewal Services – é, como afirmam os Estatutos “a principal organização de coordenação da Renovação Carismática Católica (RCC) à nível mundial[3], e todas as demais instâncias de coordenação do Movimento, com seus Estatutos, bebem do ICCRS no que tange à sua natureza e missão.

Promover, Unir e Salvaguardar

As instâncias de coordenação do Movimento Carismático congregam irmãos e irmãs reconhecidos pelo ministério de apóstolos que lhes foi concedido, não mediante a imposição de mãos, mas mediante o carisma. A Carta Iuvenescit Ecclesia, da Congregação para a Doutrina da fé, apresenta esta belíssima distinção e fundamenta a existência de um ministério de apóstolo que é concedido pela recepção de um carisma específico, que difere do que é recebido pela “Imposição das Mãos” (dom hierárquico). Portanto, os irmãos que conformam uma instância de coordenação são, em primeiríssimo lugar, àqueles que tiveram este “carisma” reconhecido pela Comunidade.

O Espírito Santo, alma da Igreja e, portanto, da Renovação Carismática Católica, reúne este grupo de irmãos em primeiríssimo lugar enquanto instância de escuta e direcionamento profético para o Movimento numa determinada localidade. Esta instância, ligada à autoridade eclesiástica competente (Pároco, Bispo), reúne as melhores condições para prestar este serviço, com a finalidade de:

  • Promover a genuína experiência carismática dentro de sua “jurisdição eclesiástica” (Paróquia, Diocese, País, Continente, Mundo).
  • Unir os mais diversos irmãos e irmãs tocados por esta experiência mediante o diálogo e a prestação de serviços. Como veremos abaixo, na análise do Preâmbulo dos Estatutos, a Renovação é uma graça de caráter mundial com muitas expressões. As instâncias de coordenação promovem a unidade mediante o diálogo e a cooperação – não mediante a inserção numa estrutura – uma vez que não se trata de uma realidade uniforme, nem unificada.
  • Salvaguardar a genuína experiência carismática em sua fidelidade à Sã Doutrina, em sua autenticidade e em sua força!

Para realizar esta tríplice missão, as instâncias de coordenação oferecem constante apoio formativo aos diversos “servos” da Renovação Carismática Católica, apoiando o labor do Ordinário do Lugar – O Bispo –, quem, em última instância, é o responsável pelo discernimento dos carismas; faz-se ajudar, devidamente, pelos párocos, verdadeiros responsáveis pelos Grupos de Oração de suas paróquias. A missão das instâncias coordenação está inteiramente subordinada a este ordenamento da Igreja, como nos relembra Iuvenescit Ecclesia.

Os diversos servos da Renovação Carismática Católica sentem-se impelidos pelo Espírito à unidade e desejam que a experiência seja promovida e salvaguardada, motivo pelo qual prezam pela unidade com as instâncias de coordenação. Recebem com humildade os direcionamentos e participam das formações de coração aberto porque, em primeiro lugar, estas instâncias são avalizadas pela própria Igreja – emanam do próprio ICCRS, em sua natureza, que goza de reconhecimento pontifício – ; em segundo lugar, porque somos chamados a “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”, de tal modo que o direcionamento e a formação advindas destas instâncias ganham importância singular! É da essência da experiência carismática a constituição de comunidades maduras, como fruto do vínculo fraterno e do crescimento espiritual.

Caminhar à parte da comunhão com as instâncias de coordenação da RCC nunca é um bom sinal.

Natureza e Missão

Pontuemos, brevemente, o que os Estatutos afirmam em sua definição sobre o que é a Renovação Carismática Católica. Farei algumas subdivisões no texto original do preâmbulo e alguns comentários – em itálico – que ficarão destacados do texto original.

  • A Renovação Carismática Católica (RCC) é uma graça de renovação no Espírito Santo com um caráter mundial e muitas expressões na Igreja Católica, porém não é nem uniforme nem unificada.

O texto do preâmbulo define a RCC como uma graça multiforme, não uniforme, nem unificadaToda a atividade das instâncias de coordenação se caracteriza pela prestação de serviços sem a pretensão de inserir algo ou alguém numa estrutura uniforme; portanto, estes serviços são destituídos de todo e qualquer caráter de obrigatoriedade, como veremos nas afirmações que se seguirão. Não existe uma estrutura “oficial” e outras “extraoficiais”, de acordo com os Estatutos. O que constitui alguém como “carismático católico” é: 

 

1) Ter sido batizado no Espírito Santo; 

2) Estar ligado ao Bispo Diocesano.

  • Ela não tem um fundador único, tampouco um grupo de fundadores, e não tem lista de seus membros.

 

O Preâmbulo pontua o fato da RCC não ter fundador ou grupo fundacional a fim de deixar claro que ela é, de fato, uma realidade muito “a sui generis” na Igreja Católica. Não pode ser enquadrada nas mesmas prerrogativas dos demais Movimento Eclesiais, pois embora ela se organize em Movimento Eclesial (afirmação feita no preâmbulo) a definição “comum” de “Movimento Eclesial” não satisfaz totalmente as exigências da natureza da RCC, de modo que, de fato, a entendemos, hoje, como um Movimento Eclesial, mas muito “a sui generis”.

 

A RCC não tem “LISTAS DE MEMBROS”. É muito contrária à natureza da RCC a existência de algumas “listas” no nosso meio, que desqualificam aqueles que “não estão nelas” – sem motivo plausível – a exercerem os carismas que o próprio Espírito Santo lhes concedeuNão há lista de “incorporados” à RCC, de “credenciados”, de “ministros” da pregação, da cura, da libertação, da intercessão, etc. Todos os batizados no Espírito Santo que receberam um carisma e estão na comunhão da Igreja… São aptos a exercerem estes carismas. Iuvenescit Ecclesia diz, até, que é de direito destes irmãos o exercício dos carismas recebidos.

  • Ela é uma corrente de graça que PERMITE que indivíduos e grupos se expressem de diferentes maneiras e em diferentes formas de organização e de atividadesfrequentemente bem independentes uns dos outros, em diferentes estágios e modos de desenvolvimento, com diferentes ênfases.

 

Corrente de graça é a definição feita pelo Cardeal Suenens, recolhida nos Estatutos e reafirmada enfaticamente pelo Papa Francisco. É da natureza da RCC não forçar todos a uma única estrutura organizacional, onde os que não se encaixam são expelidos e proibidos. Ela permite, dizem os Estatutos. Sua natureza não é uniforme

  • Contudo, eles partilham a mesma experiência e partilham os mesmos objetivos gerais.

A experiência e os objetivos gerais são o fator da nossa comunhão: Fomos batizados no Espírito Santo e temos os mesmos objetivos gerais, explicitados nos próprios Estatutos[4]

  • Este padrão de relacionamento com liberdade é encontrado a nível diocesano e nacional bem como a nível internacional.

 

O Estatuto afirma explicitamente que o padrão de relacionamento encontrado a nível diocesano e nacional (também estadual, no caso do Brasil) é o mesmo preconizado pelo ICCRS, que não uniformiza, que preza pela liberdade e que vê na experiência do Batismo no Espírito Santo o verdadeiro fator da comunhão entre os carismáticos.

  • Esses relacionamentos são geralmente caracterizados por associação livre, diálogo e colaboração ao invés de integração a uma estrutura ordenada.

A livre associação – o desejo expresso e deliberado de querer caminhar com a RCC – o diálogo e a colaboração estabelecem os vínculos necessários, ao invés da pertença a uma estrutura ordenada. 

  • A liderança é caracterizada mais por oferecer serviço àqueles que o querem do que por governo.

Este é um ponto nevrálgico, afirmado explicitamente pelos Estatutos. As instâncias de coordenação da RCC não possuem múnus de governo. São instâncias que oferecem serviços para promover a experiência carismática e gerar comunhão entre os que fazem tal experiência. Não há, portanto, caráter de obrigatoriedade em nenhum dos serviços oferecidos pelas instâncias de coordenação – a não ser que os Bispos e Padres, em suas jurisdições eclesiásticas, confiram este “status” a tais serviços – e isto emana da natureza mesma dos conselhos de líderes na RCC. 

Os irmãos e irmãs, batizados no Espírito Santo, que fomentam esta experiência na participação em Grupos de Oração ou outras atividades comunitárias, buscam as formações oferecidas pelo desejo de comunhão, de unidade e para salvaguardar a identidade da Renovação Carismática Católica.

Estas instâncias de comunhão e serviço sem múnus de governo são comuns na Igreja. Cito, por exemplo, as Conferências Episcopais, cuja função é fomentar a colegialidade dos Bispos, oferecer serviços, diretrizes de apoio, mas não há ingerência na autoridade dos Bispos nas Igrejas locais. Busca-se viver o que a Conferência oferece por desejo de unidade e comunhãonão porque seja obrigatório!

  • Em várias realidades a RCC se organiza em Movimento Eclesial, mas existem também estruturas tais como Comunidades, Redes, Escolas de Evangelização, Estações de Televisão, Associações, Institutos e Seminários Religiosos, bem como Editoras, Músicos, Missionários e Pregadores. Todos estes, embora não formalmente associados em uma estrutura específica têm um perfil “carismático”.

A RCC se organiza como Movimento Eclesial: perceba que os Estatutos não afirmam que a RCC é um Movimento Eclesial; a RCC tomou a forma de um Movimento Eclesial e hoje, na Igreja, figura como tal porque, de fato, constitui-se como tal, apesar de suas singularidadesMas há uma gama imensa de outras realidades que, embora não formalmente associadas a uma estrutura específica, são carismáticasporque, repito, duas são as condições para que alguém seja carismático católico:

  • Ter sido batizado no Espírito Santo;
  • Estar vinculado a um Bispo Diocesano;

Feita esta análise do preâmbulo dos Estatutos do ICCRS, cabe ainda pontuar mais algumas citações interessantes. Vejam o que se diz a respeito do ICCRS:

Quando o ICCRS oferece ensinos ou assessoria pastoral, emite orientações, ou oferece formação nos diferentes locais, ele o faz como um servo que oferece ajuda, não como uma autoridade que espera observânciaEm relação às expressões nacionais e locais da RCC, o ICCRS deseja enfatizar o seu comprometimento ao seu papel de serviço. O ICCRS não procura impor sua autoridade, mas somente oferecer seus serviços.

O relacionamento entre o ICCRS e as expressões locais e nacionais da RCC de maneira alguma limitam as relações entre estes grupos e seus bispos locais e nacionais. Tampouco o relacionamento com o ICCRS limita a liberdade de qualquer indivíduo ou grupo na RCC de relacionar-se com a Santa Sé.

Tomando em conta o fato de que as diversas instâncias de coordenação emanam – enquanto natureza e missão – do ICCRS, pode-se afirmar que:

  • As diversas instâncias de coordenação oferecem ensinos e assessoria pastoral, emitem orientações, oferecem formações nos diferentes locais como um servo que oferece ajuda e não como uma autoridade que espera observância. Como é contrária à natureza das instâncias da RCC a cobrança de obrigatoriedade nas formações ou coisas do gênero! Nós, carismáticos, queremos a formação porque fomos Batizados no Espírito Santo e ele nos impele a crescer em conhecimento e graça, bem como nos urge a um vínculo de comunhão com os irmãos! Queremos estar na unidade… Por isso queremos a formação.
  • As diversas instâncias de coordenação não impõem autoridade, somente oferecem serviços;
  • Assim como o ICCRS não impõe limites às instâncias continentais, nacionais e diocesanas, assim também as instâncias de coordenação não limitam os diversos coordenadores paroquiais de Grupos de Oração carismáticos. A autonomia dos mesmos é salvaguardada. As instâncias de serviço prestam assessoria… servem… Não mandam! Neste sentido, com ciência e consentimento de seus párocos, os coordenadores possuem autonomia na organização da vida da RCC. É por humildade e desejo de unidade – como fruto do Espírito – que eles acatam às diretrizes recebidas dos diversos serviços da RCC, para salvaguardar a identidade da RCC.

Há uma série de desdobramentos oriundos dos Estatutos do ICCRS que merecem a nossa leitura. Farei, a partir de agora, reflexões pessoais diante de abusos que acontecem constantemente no nosso meio, a fim de depará-los com os Estatutos e demonstrar como eles não condizem com a natureza e a missão das instâncias de coordenação na RCC.

  • A tensão entre RCC e Novas Comunidades, onde instâncias de coordenação da RCC proíbem membros de comunidades de Vida e Aliança de pregarem em nossas assembleias, alegando que eles possuem “um trabalho paralelo”, “que não estão na moção”, e assim por diante, é infundada! As diretrizes gerais, explicitadas nos Estatutos, e a experiência carismática são a nossa fonte de comunhão.
  • Se um coordenador de Grupo de Oração, sob ciência e consentimento de seu pároco, decide convidar a um determinado servo, as instâncias de coordenação não possuem autoridade para desautorizar aquilo que a autoridade eclesiástica previamente avalizou. Se este servo não for idôneo – por motivos sérios – a coordenação comunica o dito coordenador de Grupo de Oração, mas a decisão seguirá sendo do mesmo, sob ciência e consentimento do seu Pároco / Bispo. O mesmo acontece em todos os demais níveis de coordenação;
  • A principal missão de uma instância de coordenação – com relação ao ponto 2 – é de gerar comunhão. Neste sentido, sua missão, nestes casos, é de tentar “ganhar o irmão” que, por algum motivo, se considera inapto para uma determinada missão, a fim de que se converta e sirva ao Senhor. Colocar alguém numa lista negra, desaconselhar que o chamem e assim por diante, sem esta prévia atitude de buscar o interessado… É uma atitude antievangélica e autoritária.

Este escrito não diminui em absoluto a importância das instâncias de coordenação na Renovação Carismática Católica, mas, pelo contrário, dignifica-as ainda mais como instâncias a serviço do vínculo da caridade, da comunhão e da prestação de serviços que fomentam a experiência carismática! Andar desvinculado das instâncias de coordenação é uma atitude que não condiz com alguém que foi batizado no Espírito Santo e pode denotar presunção, soberba e autossuficiência, pois aquilo que o Espírito realiza na Trindade – Comunhão das Divinas Pessoas – Ele realiza em meio a nós: Coloca-nos em comunhão! A missão das instâncias de coordenação é esta: Serem instrumentos do Divino Espírito para a unidade e o fomento do Batismo no Espírito Santo em toda a Igreja!   

Conclusão

Ninguém encontrará embasamento, nestas linhas, para afrontar as instâncias de coordenação. Por outro lado, tenho ciência de que as verdades expressas aqui denunciam inúmeras práticas generalizadas no nosso meio.

Há duas atitudes possíveis:

  • Revoltar-se diante das verdades expressas e começar um patrulhamento ideológico para denegrir o autor do artigo. Uma campanha para difamar polidamente ao que proferiu tal “discurso inconveniente”. “Quem é ele para falar a este respeito? ” (Argumento de autoridade). “Ele é polêmico”, “ele é recalcado”, “ele é rancoroso”, “ele não é idôneo” (argumentos “ad hominem”).
  • Ser humilde, refletir sobre as verdades expressas, levar as reflexões a diante de mudar o seu proceder.

[1] I Pe 4, 10 – 11

[2] http://www.rccbrasil.org.br/interna.php?paginas=45

[3] Estatutos do ICCRS, Art. 1

[4] 1. Promover conversão pessoal contínua e madura a Jesus Cristo, nosso Senhor e

Salvador.

  1. Promover uma receptividade pessoal decisiva à pessoa, presença e poder do Espírito

Santo. Estas duas graças espirituais são frequentemente experimentadas conjuntamente no que é chamado em diferentes partes do mundo como batismo no INTERNATIONAL CATHOLIC CHARISMATIC RENEWAL SERVICES Estatutos do Serviço para a Renovação Carismática Católica Internacional–pag Espírito Santo, ou como uma liberação do Espírito, ou uma renovação do Espírito Santo. Elas são mais frequentemente entendidas como uma aceitação pessoal das graças da iniciação cristã e como um recebimento de poder para o serviço cristão pessoal na Igreja e no mundo.

  1. Promover a recepção e o uso dos dons espirituais (charismata) não somente na RCC mas também em toda a Igreja. Estes dons, ordinários e extraordinários, são abundantemente encontrados entre leigos, religiosos e o clero. A compreensão e o uso apropriados em harmonia com outros elementos da vida da Igreja é uma fonte de força e poder para os cristãos na sua jornada em busca de santidade e no desempenho de sua missão.
  2. Promover o trabalho de evangelização no poder do Espírito Santo, incluindo a evangelização das pessoas que não estão na Igreja e a re-evangelização dos que se denominam cristãos, a evangelização das estruturas culturais e sociais. A RCC promove especialmente a participação na missão da Igreja por meio do anúncio do Evangelho com palavras e com obras, e testemunhando Jesus Cristo através do testemunho pessoal e das obras de fé e de justiça às quais cada pessoa é chamada.
  3. Promover o crescimento contínuo em santidade através da integração apropriada destes enfoques carismáticos com a vida plena da Igreja. Isto é realizado através da participação em uma frutuosa vida sacramental e litúrgica, e pela valorização da tradição da oração e espiritualidade católicas, e por uma formação contínua na doutrina católica. Isto tudo é guiado pelo Magistério da Igreja, e pela participação no plano pastoral da Igreja.

 

Escrito por Fernando Nascimento
Fonte: Blog Sobre a Rocha de Pedro

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