RCC

A Autoridade das Lideranças na Renovação Carismática Católica

Já fiz alguns posts sobre este assunto, mas desejo reformulá-lo aqui, devido ao número sem fim de “confusões” que seguem acontecendo.

Há muitos mandos e desmandos acontecendo por aí:

  1.  Comunidades de Vida e Aliança sendo proibidas de pregar e ministrar em Grupos de Oração e Eventos da RCC;
  2. Pregadores e Missionários sendo colocados numa “lista negra”;
  3. Coordenadores formando “a equipe” que, de modo quase exclusivo, tem o aval para serem os pregadores nos Grupos e Eventos da RCC.
  4.  Formações Obrigatórias;
  5.  Etc;

Farei algumas considerações importantes sobre a RCC:

1. Ela foi “enquadrada” como um “Movimento Eclesial”, sob os cuidados do Conselho Pontifício para os Leigos, e pode, de fato, ser considerada como tal, mas… Muito “a sui generis”. Não possui um Fundador, não possui “regras de vida”, que pautem a “incorporação” ao Movimento e seu “Modus Vivendi”. É melhor definida, segundo o falecido Cardeal Suenens, como uma “espiritualidade”, uma “corrente de graça”.

2. Em decorrência do primeiro ponto, a RCC não possui uma “estrutura de governo”. Há, hoje, um Conselho Internacional que atua para “gerar comunhão” e “servir” as mais diversas expressões oriundas desta “experiência carismática específica”: Escolas, Universidades, Institutos, Associações de Fiéis Leigos, Comunidades Novas, Congregações, etc. Dentre todas estas realidades, a Renovação Carismática Católica aparece como o “Movimento” ao qual todas as demais realidades estão “vinculadas” – na comunhão e no serviço. Este conselho, em sua sigla inglesa, é chamado de ICCRS. O Escritório do ICCRS fica dentro do Conselho Pontifício para os Leigos.

3. Os demais conselhos (continentais, nacionais, “estaduais”, diocesanos) emanam, em sua natureza, do ICCRS no que tange a não ser uma instância de governo, mas de comunhão e de serviço. Faça-se, contudo, uma ressalva ao Conselho Diocesano, uma vez que este conselho está diretamente ligado a um Bispo e atua numa determinada jurisdição eclesiástica. Atuando nestas condições, o Ordinário do Lugar (O Bispo) confere ao Coordenador Diocesano o governo do Movimento em sua jurisdição, sempre em comunhão e ciência do Bispo. A autoridade, portanto, provém do Bispo. Por sua vez, o mesmo acontece numa determinada Comunidade Paroquial. O Coordenador da RCC na Paróquia goza de autoridade para organizar o Movimento dentro da jurisdição eclesiástica da Paróquia, sob o cajado do Pároco.

Em decorrência dos pontos “2” e “3”, fica claro que:

a) A Renovação Carismática Católica é uma realidade eclesial “não uniforme” nem “unificada” (Estatutos do ICCRS). A RCC é heterogênea. Não há nada mais incoerente do que ver aquilo que acontece na Paróquia São Sebastião, na Cidade de Valinhos, Estado de São Paulo (por exemplo), e concluir: A RCC é “isso”, ou “aquilo”. A RCC é ou deixa de ser aquilo que seus Pastores (Bispos e Padres) fazem dela ou permitem, em suas jurisdições, uma vez que os leigos atuam sob o cajado deles.

b) Michelle Moran (Presidente do ICCRS), Sheny de Góngora (Presidente do CONCCLAT – Conselho Latino Americano da RCC) e Kátia Zavaris (Presidente Nacional da RCC) não gozam de uma autoridade “de governo” para, por exemplo, intervir numa Diocese ou numa Paróquia sem o prévio consentimento dos respectivos pastores. Se olharmos com objetividade, baseados no Direito Canônico, concluiremos que o coordenador de Grupo de Oração, com respaldo do seu pároco, goza de mais autoridade do que a Michelle Moran, por exemplo. A missão da Michelle é de serviço e de comunhão. O coordenador de Grupo, na sua jurisdição eclesiástica e sob o cajado do Pároco, tem autoridade.

c) Nenhuma formação oferecida pelas instâncias Internacionais, Continentais, Nacionais e Estaduais é obrigatória. São serviços oferecidos para prestar orientação e gerar comunhão. A formação ganharia essa obrigatoriedade se o Ordinário do Lugar desse a ela tal “status”, ou se o Pároco o fizesse em sua jurisdição.

Se, por exemplo, o Coordenador do Grupo de Oração quer chamar o “Fulano de Tal”, da “Associação Paz e Amor”, para pregar no seu Grupo de Oração, e goza, para isto, da permissão de seu Pároco, ninguém, nem mesmo a Michelle Moran, poderia “proibir” esse pregador de estar ali, mesmo que o Grupo de Oração seja ” da RCC” e ela seja a presidente do ICCRS.

4. Portanto, o Conselho Internacional oferece formação e trabalha com a Santa Sé para orientar as realidades oriundas dessa experiência carismática específica. Todos nós acatamos a esta formação, bem como a todas as diretrizes dos diversos conselhos, porque queremos caminhar na comunhão e na unidade (não porque seja obrigatório, ou coisa do gênero). Não há uma “regra de vida” na RCC. Não há um livro de “Princípios e Normas” que disciplinem o “modus vivendi” dos “carismáticos”.

SEM TER ESSES PRESSUPOSTOS… NUNCA SE ENTENDERÁ A COMPLEXIDADE DA “RENOVAÇÃO CARISMÁTICA”. Ela é, como bem disse o Cardeal Paul Joseph Cordes, “um desafio teológico e pastoral”.

Escrito por Fernando Nascimento
Fonte: Blog Sobre a Rocha de Pedro

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